por Marcelo Mariaca

Empresários, executivos, gerentes, professores, bancários e toda classe de profissionais dos segmentos industrial, comercial ou de prestação de serviço têm apresentado sintomas da Síndrome de Burnout, distúrbio psíquico causado por intenso esgotamento físico e mental, diretamente ligado à vida profissional. O mal acomete, principalmente, os chamados workalics, ou viciados em trabalho, e aqueles que sacrificam tudo para ser bem-sucedidos, serem reconhecidos e terem alto desempenho profissional.

Conhecida também como estresse ocupacional ou Síndrome de Esgotamento Profissional, era associada a uma doença quase exclusiva de trabalhadores de áreas assistenciais, como médicos, enfermeiros e bombeiros, que geralmente vivem situações estressantes. Mas nos últimos anos especialistas associam o mal à excessiva carga de trabalho e às pressões insuportáveis a que os profissionais são submetidos no mundo corporativo.

De caráter depressivo, a doença leva as pessoas à autopercepção de que sua força e energia estão se esgotando ­– daí o significado da expressão inglesa burnout, ou seja, queimar até o fim. Como outros tipos de depressão, só é percebida e diagnosticada com precisão quando já se encontra em estado avançado e provocou graves prejuízos.

Há um crescendo na vida dos profissionais propensos ao mal. Começa com a necessidade de se afirmar, quando a pessoa se entrega compulsivamente ao trabalho, abandona hábitos saudáveis – o lazer, o convívio familiar e social – e descuida-se da saúde e das necessidades pessoais. O profissional sente, então, que as coisas não vão bem, mas outra característica da doença é a falta de motivação para enfrentar o problema. O passo seguinte é a negação de valores, acompanhada de mudanças comportamentais, que levam à insensibilidade em relação a todos e a tudo, ao recolhimento, à despersonalização, à depressão e, enfim, ao colapso físico e mental.

As empresas cada vez mais procuram dar mais atenção à saúde física e mental dos funcionários, pois sabem que doenças provocam impactos na organização, como aumento do absenteísmo e queda de produtividade.  Doenças ocupacionais costumam recebem atenção especial e são objeto de leis, normas e cláusulas de acordos coletivos de trabalho. A Síndrome de Burnout existe, mas pouco ainda se sabe sobre ela. O conhecimento de suas características, sintomas, diagnóstico e cura é fundamental para que se possa por em prática estratégias de prevenção e intervenção.

É importante que dirigentes, acionistas, líderes e gestores das empresas e conscientizem da crescente incidência desse mal e de perfil insidioso. A prevenção certamente passa por mudanças comportamentais e até da cultura de certas organizações ­­- especialmente aquelas que buscam resultados a qualquer preço, estabelecem metas impossíveis de serem alcançadas, impõem carga excessiva de trabalho aos empregados para evitar contratações e submetem os profissionais a níveis insuportáveis de pressão.

Caso contrário, o mundo corporativo estará criando novo pesadelo.

[Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca e professor da Brazilian Business School]

Retirado de www.pcmag.com.br

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