Figuras como Tiririca, Agenor Bisteca e Mulher Pera ampliam espaço no horário eleitoral na TV

Flávia Tavares – O Estado de S.Paulo

Cacareco nem imaginava, quando se “elegeu” vereador em 1958 em São Paulo, o que estava por vir. O rinoceronte escolhido pelos paulistanos para expressar a insatisfação com a política talvez também ficasse insatisfeito de ver seu legado disputado por Tiririca e Agenor Bisteca.

Tião, o macaco que teve 400 mil votos na corrida pela prefeitura do Rio de Janeiro em 1988, provavelmente se indignaria com as candidaturas de Mulher Pera ou Tati Quebra-Barraco. Mas eles nada podem fazer. A “celebrização” da disputa eleitoral parece inevitável e irreversível.

A “fauna” eleitoral se diversifica e se amplia a cada nova campanha. Com a estreia do horário eleitoral na terça-feira, Dilma Rousseff e José Serra perderam espaço nas rodas de amigos para essas peças que somente a votação nominal, como a do Brasil, produz. “Se a votação fosse por legenda, os partidos não apostariam em celebridades para puxar votos”, acredita Luiza Erundina, deputada federal candidata à reeleição. “Apostas como essas são um claro sinal da exaustão dos partidos, da falta de critérios para lançar candidaturas e do baixo grau de politização do eleitor”, acrescenta a candidata, sem excluir seu partido, o PSB, da crítica.

O próprio Tiririca reconhece que pode estar sendo usado pelo PR, partido de Valdemar Costa Neto, aquele do mensalão, para puxar votos. E não se importa. “Quero ser eleito para ajudar nordestinos e crianças”, diz o humorista. Não pretende atuar no Congresso a caráter. “Na Câmara, serei Everardo.” Seu nome é Francisco Everardo Oliveira Silva.

Ou seja, os votos que conseguir para Tiririca serão revertidos para o PR e para o Everardo, e o tal “voto de protesto”, usado para contestar o baixo nível dos políticos, perpetua o baixo nível.

O cientista político José Paulo Martins Jr., professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, faz questão de lembrar que as celebridades e as figuras excêntricas têm tanto direito de se candidatar quanto qualquer outra pessoa. “São cidadãos como outros quaisquer e suas candidaturas não são uma coisa ruim por si”, afirma. O que é condenável, segundo Martins, é que os partidos apostem todas as suas fichas nisso. “Mesmo os não nanicos têm embarcado na onda de celebridades”, lamenta.

Para ele, o voto distrital é quase impossível no Brasil, mas o fenômeno dos candidatos bizarros não invalida nosso processo eleitoral, porque poucos se saem bem. Elas fazem algum barulho no horário eleitoral, mas nem sempre capitalizam os votos. “O eleitorado não é estúpido, por mais que não valorize seu voto, principalmente no Legislativo”, diz. Desde a urna eletrônica, o voto nulo perdeu a graça. Ninguém mais pode fazer desenhos obscenos nas cédulas. O Maguila e a Mulher Pera são o novo palavrão eleitoral. “Sempre ajudei as pessoas, então decidi me candidatar”, justifica-se Suéllem Silva, a mulher fruta. “Eu tenho muitos fãs e, para se eleger, o candidato tem que ter fama”, deduz.

Quando eleitos, os excêntricos raramente têm uma atuação de destaque. “A atividade legislativa exige uma técnica”, diz Martins. Erundina acrescenta que são 513 parlamentares e conquistar espaço de atuação não é tarefa fácil. “Essas candidaturas debocham da política, porque os excêntricos se tornam tão representativos quanto um parlamentar qualificado.”

A questão é que também essa última categoria está enfraquecida. “Não é o Tiririca que desmoraliza o processo eleitoral, ele já está nivelado por baixo há algum tempo”, diz Martins. Ele acredita que até 30 mil votos nas celebridades desse naipe seja “razoável”. “Se passar do milhão, temos de ficar atentos.

Fonte: estadao.com.br

Vamos abrir os olhos, e colocar candidados decentes no poder. Senão já sabe né? Como dizia o Pelé: “já viu né?” veja abaixo alguns vídeos dos “candidatos”.

Anúncios