original escrito por Júlia Duailibi e Rodrigo Alvares

A quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas ao candidato tucano à Presidência, José Serra, deve dominar o debate Rede TV!/Folha a partir das 21h de hoje, na sede da emissora, em Osasco (SP). Será o primeiro encontro dos dois principais candidatos ao Planalto, Dilma Rousseff (PT) e Serra, desde a eclosão do caso.  Além de Dilma e Serra, estão confirmados os candidatos Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

O debate será dividido em cinco blocos, sendo três com confronto direto entre os candidatos e outros dois com perguntas de jornalistas. Participarão Renata Lo Prete, editora do “Painel” da Folha, e Patrícia Zorzan, repórter especial da Rede TV!.

20h28 – O candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin, chega à emissora. Também estão no estúdio o candidato a vice na chapa de Dilma, Michel Temer (PMDB), Aloizio Mercadante – que disputa o Palácio dos Bandeirantes pelo PT, Marta Suplicy e Marco Aurélio Garcia.

20h36 – “Espero debate de alto nível, que possa esclarecer a população sobre os principais projetos que a gente tem apresentado”, diz a candidata Dilma Rousseff.

20h47 – Marina Silva (PV): “Estamos diante de uma crise política que o tempo todo está sendo colocada para a opinião pública”.

20h49 – José Serra (PSDB) acabar de chegar à Rede TV!. Ele diz que tem grande expectativa para o debate: “Essa é uma eleição que vai decidir o nosso destino por muito tempo”.

20h54 – O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, já está no estúdio.

21h08 – Serra ficou reunido até agora há pouco com assessores se preparando para o debate.

21h10 – Vai começar o debate entre os principais candidatos à Presidência da República.

21h11 – O jornalista Kennedy Alencar inicia o debate.

21h13 – Dilma é a primeira a responder à pergunta:  “Quais são o maior fracasso e o maior sucesso do governo Lula?” Nós diminuímos a miséria do Brasil. Fizemos uma verdadeira revolução na educação. Eu terei de garantir que o Brasil tenha um maior desenvolvimento. Nós governamos para 190 milhões de pessoas”, responde.

21h15 – “O maior sucesso do governo Lula foi não atirar o Plano Real pela janela”, diz Serra. “O maior fracasso foi o mensalão, o dossiê dos aloprados, essa história da Receita”.

21h17 – Plínio: “Eu não sei em que País vive a Dilma. O Bolsa-Família não é um direito, é um programa. A Dilma já deu toques de que vai fazer cortes quando assumir o governo”.

21h18 – Eu vejo nas duas questões dois perigos: tanto nos sucessos quanto aos fracassos, diz Marina. No que concerne ao sucesso, Marina cita os programas sociais. “Lamentavelmente, ainda temos 15 milhões de analfabetos. Tivemos um grande retrocesso na política”.

21h23 – Dilma pergunta para Marina: “Quais suas propostas para que eliminemos a miséria no País?”. “No que concerne a política social, o Bolsa família vai ser mantido. Precisamos de uma inclusão social melhorando a visão que as pessoas têm, minha proposta de política social é uma mistura das duas coisas”. Na réplica, Dilma diz trazer uma “boa notícia”: “Hoje, o Brasil é responsável por ter tirado 28 milhões de pessoas da miséria. O Brasil precisa gerar um volume de empregos para quem está abaixo da linha da pobreza possa entrar no mercado de trabalho.

21h24 – Marina responde a Dilma que tem insistido muito em debater o Brasil. “Tem sido uma vergonha o investimento em saneamento no Brasil”.

21h28 – Plínio pergunta para Dilma sobre o déficit habitacional: “O governo do presidente Lula contruiu um programa chamado Minha Casa, minha vida”, diz a petista. “Hoje nós temos contratados na Caixa 600 mil novas moradias. Propusemos no PAC 2 a construção de mais 2 milhões de moradias”. “Não respondeu minha pergunta sobre o aluguel compulsório na Inglaterra. Só expôs o que o governo fez. Topa ou não topa?”. “Falo em subsídio, Plínio”, responde Dilma. O Brasil precisa de ativar a construção civil.

21h29 – Marina pergunta para Dilma: “As manchetes dos jornais não tiram os escãndalos de corrupção. Por que esse atraso ético?”. “Eu queria dizer, Marina, que  nós participamos do mesmo governo. Demos um grande retorno à Polícia Federal”, afirma a petista. Citou o caso do Amapá: “Dentro da política do presidente Lula do doa a quem doer”.

21h32 – Na réplica, Marina diz: “É a primeira vez que eu escuto a ministra Dilma dizer que participei deste governo. Parece que ela fez tudo sozinha”. A diferença é que precisamos parar de banlizar esse tipo de atitude”. Dilma: “Sempre reconheci que você fosse do governo do presidente Lula. Acho importantíssimo que tenhamos reforçado a Polícia Federal. Acho que a questão ética precisa de instituições transparentes”.

21h35 – Serra pergunta a Plínio: “O que a Marina perguntou a Dilma foi sobre a PF? “Aqui temos a cultura do bom-mocismo. Esse assunto dessa sujeirada não me interessa nessa campanha. Acho que o Zé não terminou a pergunta dele. Nós precisamos discutir propostas concretas e não se um aloprado foi preso ou não”, responde. Serra: “É assunto do governo, do PT. A democracia deles é para proteger os aliados deles”.

21h38 – “De fato, é um problema da democracia. O triste é o debate se distanciar disso”afirma Plínio. Dilma pediu direito de resposta, que foi negado. Fim do primeiro bloco.

21h41 – Começa o segundo bloco. Os candidatos responderão a perguntas de jornalistas. Patrícia Zorzan a Marina: “A senhora acha viável que quem vem da classe C se contente com o crescimento sustetável?”. “É impossível imaginar que vamos estimular as pessoas a fazer o consumo predatório. O problema é que uma boa parte dos políticos têm uma visão equivocada do desenvolvimento”.

21h45 – Renata Lo Prete questiona Dilma sobre reportagem da revista Veja “A senhora colocaria a mão no fogo por Erenice Guerra?”. O que tem se colocado nos jornais é uma acusação ao filho da ministra. Se houve tráfico de influência, tem de ser incestigado. Eu não concordo e não vou aceitar que me julguem por causa do fez o filho de uma ex-assessora minha. Isso cheira a manobra eleitoreira feita sistematicamente contra mim”.

21h47 – Zorzan a Plínio: “O povo brasileiro vai ter de pagar a conta do seu socialismo”. “Não. Uma propiedade é feita para cumprir uma função social. As pessoas que me escutam entendem isso. O povo brasileiro não pagar, vai receber de volta”.

21h51 – Lo Prete questiona Serra de que ele teve indícios das violações quando liderava as pesquisas: “As pessoas não podem pensar que o senhor usou esse episódio para se recuperar nas pesquisas?”. “Claro que não. O que eu deveria fazer? Agradecer ao PT? Esse trabalho todo foi trazido pelo Fernando Pimentel, homem de confiança da Dilma. Esse assunto é importante para a democracia”. Dilma pediu direito de resposta. Fim do segundo bloco.

21h54 – Pressão no intervalo: petistas e tucanos pressionam mediador por direito de resposta.

21h57 – Dilma ganha o direito de resposta: “O meu adversário quer ganhar no tapetão, virar a mesa da democracia. Vou manter o alto nível da eleição e não vou passar para a história como uma caluniadora”.

21h58 – Serra tem direito de resposta por ter sido chamado de caluniador. “Essas questões não se resolvem com brabeza. A Casa Civil é um foco de problemas”. Cita José Dirceu e encara Dilma: “Vai pedir direito de resposta para isso também?”

21h59 – Plínio pergunta a Dilma se vai revogar o veto que limita o investimento em educação. “Nós tivemos um redução das txas de analfabetismo, mas não é o suficiente”, diz a petista. “O governo Lula voltou a investir em universidades e pré-escolas”. Curioso, porque quem ajudou a vetar esse projeto foi o FHC e quem manteve malandramente foi o presidente Lula. Você faz um pacto comigo para terminar o ‘Bolsa-Banqueiro’”?. “Fizemos a volta das escolas técnicas, que o governo anterior não fez”, responde Dilma.

22h04 – Serra pergunta para Dilma sobre a posição “carinho e amizade” com o presidente do Irã. “Diante do que se aconteceu no Iraque e no Afeganistão, não devemos reolver isso com o fígado. Vimos que certos tipos de guerra não ajudam na pacificação daquelas regiões”, afirma a petista.

22h07 – “Dilma, as pessoas do Brasil sabem que eu não sou nem caluniador nem evasivo. No seu caso, realmente, não dá para dizer. Acho que no caso do evasivo, já está provado. Eu perguntei por que vocês têm essa posição”. Dilma: “Acho que as pessoas não podem ser pretensiosas. Lamento profundamente as tentativas do meu adversário de me desqualificar. Não subestime ninguém, candidato. O Senhor não é melhor que ninguém”.

22h10 – Dilma pergunta a Plínio sobre as compras de navios pela Petrobrás. “É pegadinha. Não sei não vi. Vocês estão vendo o que o direito de resposta faz. Vocês me chamam de franco-atirador, mas estou aqui discutindo propostas sérias”. “Plínio, eu achei que estava levantando a sua bola”, responde Dilma. Explica que fez a pergunta porque o governo Lula parou de importar plataformas. Plínio: “De fato, eu não sabia. O que eu tenho procurado mostrar é que todos os 3 candidatos defendem o Real. Estamos dando visões de linha geral. É preciso dar 10% para melhorar a educação, eu quero saber quem está comigo?”.

22h15 – Marina pergunta a Serra sobre a política de desastres naturais. “Há uma verdadeira anarquia no governo federal quando se trata de assistência a tragédias. No caso de São Paulo, nós fizemos a lei de mudanças climáticas. Eu creio, de fato, que nem Estados e cidades estejam preparados. O governo federal está deixando o Brasil ser queimado. É preciso ter uma força que mapeie tudo”, respondeu o tucano. Fim do terceiro bloco.

22h21 – Começa o quarto bloco. Candidatos voltam a responder perguntas das jornalistas. Patrícia Zorzan questiona Serra sobre as críticas a Lula e ao fato ter usado a imagem do presidente em seu programa no horário eleitoral. “Eu não sou e nunca fui da estratégia do quanto pior, melhor. O Lula é uma pessoa que tem muita história, disputou eleições. O Lula poderia estar no meu programa, se fosse necessário.

22h25 – Renata Lo Prete pergunta a Plínio sobre o candidato ter falado que o Bolsa-Famíia ser uma “humilhação”. “Eu ouvi isso de uma papeleira e ela me pediu para sempre falar disso”.

22h28 – Zorzan questiona Dilma sobre o escândalo na Receita Federal e se o que está acontecendo é uma “coincidência”. “Sou radicalmente a favor da investigação. Agora, o que eu discordo é ligar esse vazamento a minha campanha. Não há nenhuma prova dessa conexão. A ilação é eleitoreira. Os vazadores não são só do PT”, responde Dilma.

22h30 – Lo Prete pergunta a Marina por que a população do Acre não apoia mais a sua candidatura. “É porque eles me conhecem bem demais. A escolha que eles fizerem será uma escolha respeitosa e consciente. Tudo o que eu sou devo à população do Acre”. Termina o quarto bloco.

22h35 – Começa o quinto e último bloco.

22h36 – Plínio pergunta a Serra sobre os recursos para a saúde que estão estagnados. “Como você vai elevar os investimentos?”. “Tem muita gordura no governo federal agora. Muito cabide de emprego e investimentos mal planejados. Vamos regulamentar e Emenda 29, que garantiu um piso mínimo à saúde, mas o governo Lula não tomou essa iniciativa”, diz o tucano.

22h39 – “Olha, isso é mágica. Abaixar o juro, reduzir o imposto e aumentar o PIB é mágica. Você vai reduzir esse gasto terrível da ‘Bolsa-Banqueiro? Você se compromete a acabar com o superávit?”, questiona Plínio. Serra: “A candidata Dilma defende essa política monetária. Eu, não. A saúde andou para trás no Brasil.

22h43 – Dilma indaga Marina sobre a desigualdade no campo. “Nós temos uma dívida histórica com os trabalhadores rurais”, diz a candidata do PV. “Não há investimento para os agricultores. Eu vou dar todo o incentivo para que se tenha uma reforma agrária justa”. Para Dilma, “uma das questões centrais é a questão técnica. Precisamos levar à região rural educação. Na tréplica, Marina diz que “no Brasil, temos agricultores de vários tamanhos”.

22h49 – Serra pergunta a Dilma sobre o saneamento no Brasil: “O que a candidata pensa sobre a tributação do saneamento?”. “Eu penso fazer o que fizemos nos últimos 5 anos com o PAC”, afirma Dilma. “Em SP, nós tivemos um grande investimento com as prefeituras. Queremos fazer um projeto de universalização do sanemento”. “A continuidade do que tem sido feito até agora seria ruim. Não houve investimento federal em São Paulo. É contabilizado como investimento aquilo que crédito da Caixa. E o pior é que aumentaram o imposto sobre o saneamento”, responde Serra. Na tréplica, a petista diz: “Agora vem falar que financiamento não é recurso?. Acho importante reduzir o imposto sobre o saneamento.

22h52 – “Que medidas serão tomadas para evitar violações de sigilos?”, questiona Marina a Dilma. “É fato que no Brasil já houve grandes vazamentos. Não creio que esse seja o último. Acredito que é importantíssimo preservar essa instituição (Receita Federal)”. É difícil não crer que está banalizado quando o próprio ministro diz que aquilo é corriqueiro”, responde a candidata do PV. Dilma: “Acho que a impunidade dá a sensação de que a pessoa pode fazer o que quiser. O que o Guido Mantega disse é que isso ocorre não só com o banco de dados da Receita Federal.

22h54 – Dilma Rousseff é a primeira a fazer sua consideração final. Cita o nascimento de seu neto, Gabriel: “Temos uma perspectiva de futuro para os jovens, para os pais e para as crianças do Brasil”

22h55 – Marina Silva: “Eu espero que depois do que aconteceu aqui, fique claro que nós precisamos de um segundo turno”.

22h57 – Plínio: “Eu entro nessa campanha porque o meu partido quer que a população ouça outras propostas”.

22h58 – Serra: “Toda a energia que eu tenho nessa campanha vem do meu contato com as pessoas. O que eu tenho a oferecer é o meu valor democrático. Isso é o que ofereço, tirar as coisas do papel”. kennedy Alencar encerra o debate.

Fonte: estadao.com.br

Anúncios