Para tentar enterrar as especulações – dentro e fora do País – sobre o real poder de sua sucessora, Dilma Rousseff, e o quanto sua própria popularidade e liderança podem atrapalhar o futuro governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem uma entrevista coletiva conjunta com a eleita para dizer que, a partir de 1° de janeiro, “rei morto, rei posto”. “Ex-presidente”, acrescentou, “nem indica nem veta.”

Ao todo, Dilma e Lula falaram durante uma hora com a imprensa. Ambos defenderam a volta de uma contribuição para financiar a saúde – a tentativa de ressuscitar a extinta CPMF já conta com a mobilização de governadores eleitos por partidos aliados. O presidente e sua sucessora falaram também da guerra cambial e da participação na reunião do G-20, em Seul, da indicação do novo ministro para o Supremo Tribunal Federal, de política externa e de direitos humanos.

Para reforçar a disposição de que não vai interferir no futuro governo, que “tem de ter a cara de Dilma” e ser “à semelhança de Dilma”, Lula sinalizou também que não vai disputar a eleição de 2014. “Chegar ao final do mandato como o reconhecimento popular que tem o governo e com a aprovação pessoal minha, voltar é uma temeridade porque a expectativa gerada é infinitamente maior.” De acordo com as pesquisas de opinião, o presidente tem 80% de aprovação.

A entrevista de Lula, concedida ao lado de Dilma, no segundo andar do Palácio do Planalto, foi convocada minutos antes de seu início. O presidente deixou claro que o propósito era passar um recado político, dizer “algumas coisas”, uma vez que ele ainda “não tinha falado depois das eleições”. Repetiu em 15 oportunidades, de maneira direta e indireta, que a formação do próximo governo, os nomes a escolher e as políticas públicas são de inteira responsabilidade de Dilma. “Ela é a presidente da República e agora é preparar o time para entrar em campo”, disse.

“Samba maluco”. Na meia hora em participou da entrevista, Lula chamou de “samba maluco e alucinante” o noticiário sobre as negociações em torno dos nomes que podem ir para o ministério. “Já vi governo montado (pela imprensa), já vi governo destituído, já vi cargo indicado para tudo quanto é lado.”

Dizendo que tem a “exata noção da sensação da montagem de um governo”, Lula acrescentou: “Você se levanta pela manhã, vê um jornal, está a fotografia de uma pessoa que você nunca pensou em colocar no governo, mas está lá como escolhida; ou uma pessoa que você quer colocar, que está lá, destituída.”

Virando-se para Dilma, ditou: “Somente ela pode dizer quem ela quer e quem ela não quer (no governo).” Por isso é que não daria palpites, disse, admitindo que “poderá dar algum conselho se, um dia, for pedido; se for para ajudar; para atrapalhar, nunca”.

Apesar do discurso de ontem, o Estado apurou com assessores que Dilma e Lula vão aproveitar a longa viagem para Seul, na próxima semana, para discutir a aliança de sustentação do futuro governo e nomes para compor o ministério. Ainda assim, usando as tradicionais metáforas futebolísticas, Lula acrescentou: “A bola está com a senhora, dona Dilma, monte seu time que eu estarei na arquibancada de camisa uniformizada, sem corneta, batendo palma, e nunca vaiando, sempre batendo palma.”

Corintiano, Lula usou o time para mais uma analogia. “Quem sou eu? Nem o Mano Menezes, quando foi convocado para a seleção, pediu para o técnico do Corinthians manter os jogadores que ele mantinha. Como é que eu vou pedir? A Dilma, ela tem de montar o time dela. Ela é, agora, a pessoa que vai ser o técnico titular desta seleção. Então, ela vai escolher quem ela quiser, para a posição que ela quiser.”

Gosto pelo poder. Lula negou ainda que suas demonstrações de apego ao poder nos últimos dias representem desejo de permanecer no governo. “Não estou saudoso coisíssima nenhuma. Quando eu entrei aqui eu sabia que tinha data para entrar e data para sair. Portanto, é igual contrato de aluguel. Eu, dia 31 (de dezembro), tenho de dar o fora.”

Fonte: estadao.com.br

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CPMF a ressureição! Eu sabia que poderia voltar, era de fato um imposto necessario? Não sei, mas que era um dos únicos impostos de sonegação zero, acho que foi uma facada e tanto que o governo perdeu de dinheiro. Tudo bem se voltar esse imposto, mas ainda sim, teria de reduzir outros. Imposto pra investir em saúde? Aí não sei se precisava só na saúde, acho que deveriam era investigar onde é feito o desvio de verbas públicas, pra saber e punir quem desvia o dinheiro, não só aumentar a arrecadação.

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