Cerca de cem cidades americanas estão perto da insolvência; do outro lado do Atlântico, Barcelona, Veneza e Berlim passam forte aperto financeiro

27 de dezembro de 2010 | 0h 00
por Jamil Chade – O Estado de S.Paulo

Europeus e americanos enfrentarão um desafio em 2011: solucionar a dívida de mais de US$ 3,7 trilhões de suas cidades. Nos Estados Unidos, mais de cem delas estão à beira da falência. Na Europa, o número não é menor – Barcelona, Madri, Liverpool e Veneza lutarão durante o novo ano para não quebrar diante da falta de crédito do governo e da recusa de bancos em financiar a dívida sem precedentes.

Essa não é a primeira vez que as cidades americanas enfrentam uma grave crise. Nos anos 70, credores deram um ultimato a Nova York: ou a metrópole reformava sua administração e cortava gastos ou simplesmente não teria mais crédito. Naquele ano, o então presidente Gerald Ford chegou a anunciar que não daria mais recursos para a cidade. Desde 1937, 619 cidades americanas declararam falência.

Para 2011, porém, a estimativa na OCDE é de que apenas a dívida das cidades dos Estados Unidos chegue a US$ 2 trilhões e que mais de uma centena estejam perto da insolvência.

Para não ver o desemprego atingir números que poderiam criar uma desestabilização social, muitas municípios optaram por financiar a manutenção de várias atividades econômicas. Mas deixaram de receber o apoio dos governos estaduais, do governo federal e ainda se depararam com uma queda importante na arrecadação.

A cidade de Phoenix já anunciou um aumento de 2% sobre o imposto na compra em qualquer supermercado da região. San José, na Califórnia, economizou fechando todas suas piscinas públicas. Chicago, a cidade de Barack Obama, terceirizou a administração de seus estacionamentos públicos para a uma empresa de Abu Dhabi. Detroit optou por reduzir custos com iluminação, policiamento e coleta de lixo.

Governos estaduais também sofrem problemas. Na Califórnia, a opção foi por elevar a taxa de universidades em 30%, enquanto o Estado do Arizona vendeu prédios públicos para a iniciativa privada.

Europa. Do outro lado do Atlântico, a crise é tao grave quanto nos Estados Unidos. Para 2011, as cidades europeias acumulam um déficit de US$ 1,7 trilhão. Só a capital espanhola terá de encontrar créditos de 7 bilhões para pagar suas contas. O governo espanhol terá de deixar claro que não autorizará um novo crédito público a Madri enquanto não ver um compromisso da cidade em reduzir seus gastos. Hoje, a capital espanhola acumula dívida pública equivalente a 105% de sua arrecadação.

Por anos, as cidades espanholas garantiram sua arrecadação graças ao “boom” imobiliário. Hoje, com a crise, ficaram sem 30% de sua fonte de renda. Madri já foi obrigada a demitir funcionários e ainda a reduzir em 15% os gastos na coleta de lixo.

No Reino Unido, Liverpool já anunciou que promoverá cortes em gastos que poderão custar 16 mil empregos. Em Veneza, na Itália, a dívida já é equivalente a tudo o que a cidade arrecada no ano. A solução foi colocar à venda três palácios da época do Renascimento como forma de pelo menos atender as obrigações da cidade com os bancos.

Berlim já acumula uma dívida quatro vezes superior ao que arrecada por ano. Mas, assessorada pelo banco JP Morgan, a capital alemã comercializou derivativos para pagar o funcionamento de seu transporte público.

Fonte: estadao.com.br

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por Gustavo Ojuara

É um situação bastante difícil, realmente se é algo meio desconsertante dizer que uma cidade está falida, o problema vai ser se continuar a coisa e ser formar um efeito dominó: depois de as cidades falirem, pode-se falir um Estado? E do Estado pode-se falir um país?

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