A ex-senadora Marina Silva anunciou oficialmente sua saída do PV nesta quinta-feira, (7/7/2011), em São Paulo. Ela defendeu que os partidos devem abandonar velhas práticas.

por  Daiene Cardoso, da Agência Estado, e Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo
Em seu primeiro dia em quase três décadas de militância partidária, a ex-senadora Marina Silva (AC), amanheceu nesta sexta-feira, 8, sem legenda. Na quinta-feira, 7, Marina anunciou sua desfiliação do PV em um evento com simpatizantes e colaboradores de sua campanha presidencial em São Paulo. Embora tenha ficado só dois anos no PV, Marina admitiu que sofreu mais ao deixar o PT, mas disse ser grata ao PV por despertar na sociedade uma nova consciência política. Liderando um movimento suprapartidário que defenderá a sustentabilidade, a ex-senadora afirmou que também pretende procurar companheiros de outros partidos para colaborar com seu novo projeto.

Em entrevista exclusiva ao Grupo Estado, Marina falou de sua gratidão ao PV – legenda que lhe permitiu sair candidata à Presidência da República nas eleições passadas e angariar um eleitorado de cerca de 20 milhões em todo o País -, mas também lamentou que o partido não se abriu para as transformações que seus eleitores esperavam. “Espero que o PV possa se refazer para poder metabolizar isso que nós suscitamos na sociedade. Lamentavelmente (agora) não foi possível e eu não vou ser incoerente com aquilo que faço e aquilo que eu falo”, disse a ex-presidenciável.
Durante uma hora de entrevista, Marina Silva falou do bom resultado obtido no pleito passado. Não apenas pelos 20 milhões de votos, mas porque a eleição não se resolveu de forma extemporânea no primeiro turno. “Pudemos perceber que as pessoas podem participar da política independente das estruturas e das alianças e fazer da sua participação algo relevante. Vimos o Brasil integrado aos movimentos que estão acontecendo no mundo”, revelou.
Marina contou que, além de simpatizantes e companheiros insatisfeitos com o PV, ela está discutindo a criação de seu movimento político com os deputados Alessandro Molon (PT/RJ) e José Reguffe (PDT-DF), com o senador Pedro Taques (PDT-MT) e a ex-senadora e vereadora de Maceió, Heloísa Helena (PSOL). “O movimento, que é uma nova forma de fazer política, deve estar dentro de todos os partidos. Eu tenho conversado com a Heloísa Helena e ela tem sinalizado muito fortemente que estará junto”, disse. A ex-candidata à Presidência da República pretende procurar também a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Eduardo Suplicy (PT-SP).
“O movimento está aberto para quem é de partido, quem não é de partido, para outros partidos e pessoas. Por isso não houve em nenhum momento a intenção de que isso fosse colocado como um partido. Acho que tem que ter um tempo para metabolizar isso, até para ver se a gente tem densidade política, teórica, de propostas e fundamentos. Não se faz um partido para concorrer às eleições”, justificou. “Imagine o que é fazer um partido já com uma somatória de interesses para concorrer as eleições em 2012. Não, de jeito nenhum. Agora vamos discutir até que isso se coloque”, reforçou.
Envolvida com sua nova realidade fora da política institucional, Marina pretende organizar uma rede suprapartidária, explorando o que considera uma das maiores conquistas da última campanha: o uso da internet e suas redes sociais. Mesmo sem partido, Marina diz que apoiará em 2012 os candidatos que defenderem a causa verde, independente da legenda. “O que sei é que o movimento vai trabalhar agora com algumas questões, como a ideia de cidades sustentáveis para 2012”, afirmou.

Assista ao vídeo com declarações de Marina Silva:

http://tv.estadao.com.br/videos,MARINA-NAO-E-HORA-DE-SER-PRAGMATICO-E-HORA-DE-SER-SONHATICO,142215,260,0.htm

Fonte: Estadão.com.br

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