Category: Ciencia


HIV alterado não consegue fugir do sistema imunológico

por Vanessa McMain – Diário da Saúde.

Enganando o enganador

Pesquisadores modificaram o HIV de tal forma que ele se tornou incapaz de enganar o sistema imunológico humano.

Os resultados podem representar a remoção de um grande obstáculo para o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV ou para o desenvolvimento de novos tratamentos para a AIDS.

“Alguma coisa no vírus HIV desliga a resposta imunológica, em vez de acioná-la, tornando-o um alvo difícil para o desenvolvimento de uma vacina”, explica o Dr. David Graham. da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

“Parece que agora nós temos uma forma de contornar essa barreira,” acrescenta.

Colesterol do vírus

Normalmente, quando as células do sistema imunológico encontram um vírus, elas disparam um alarme liberando substâncias químicas chamadas interferons, para alertar o resto do corpo da presença de uma infecção viral.

Quando as células imunológicas encontram o HIV, no entanto, elas liberam interferons demais, ficando sobrecarregadas e desligando a resposta subsequente de combate ao vírus.

Estudos anteriores mostraram que, quando células do sistema imunológico humano – os glóbulos brancos – estão com um nível baixo de colesterol, o HIV não consegue mais infectá-las.

Acontece que a cobertura que envolve e protege o genoma viral também é rica em colesterol, levando a equipe a pesquisar se os vírus sem colesterol ainda poderiam infectar as células, qualquer que fosse seu nível de colesterol.

Resposta imunológica inata

Os pesquisadores então trataram o HIV com um produto químico para remover o colesterol do seu revestimento viral.

Em seguida, eles introduziram, ou o HIV com baixo colesterol, ou o HIV normal, em células do sistema imunológico humano cultivadas em laboratório, e observaram como as células responderam.

As células expostas ao HIV com colesterol diminuído não liberaram qualquer interferon como resposta inicial, enquanto as células expostas ao normal HIV agiram normalmente, liberando interferon.

“O HIV alterado não sobrecarregou o sistema e, em vez disso, desencadeou a resposta imunológica inata, como acontece com qualquer primeiro encontro com um vírus,” conta Graham.

Resposta imunológica adaptativa

Em seguida, os pesquisadores checaram se o HIV com baixo colesterol ativaria a chamada resposta imunológica adaptativa – a resposta que ajuda o corpo a se lembrar de patógenos específicos, para que o corpo desenvolva imunidade e se defenda de futuras infecções.

Elas não esperavam que o sangue HIV-positivo respondesse a qualquer uma das duas versões do HIV por conta dos grandes danos presentes no sistema imunológico dos pacientes HIV-positivos.

No entanto, quando o HIV com baixo colesterol foi introduzido no sangue imunologicamente deprimido, mas não-infectado pelo HIV, em um tubo de ensaio, as células da resposta imune adaptativa reagiram contra o vírus.

Alterando o vírus, explica Graham, foi possível acordar a resposta do sistema imunológico contra o HIV e ignorar as propriedades imunossupressoras do HIV.

“Além de aplicações nas pesquisas de vacinas, este estudo abre a porta para o desenvolvimento de drogas que ataquem o revestimento viral do HIV como uma terapia auxiliar para promover a detecção do vírus pelo sistema imunológico,” diz Graham.

Fonte: Diário da Saúde.

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Nativa da América do Sul, a Solenopsis invicta se deslocou e hoje é uma das principais pragas invasoras no mundo

28 de fevereiro de 2011 | 12h 08
Agência Fapesp

SÃO PAULO – Um estudo publicado na revista Science desta semana descreve a história do processo de invasão mundial promovido pela pequena formiga lava-pés (Solenopsis invicta), que é muito comum no Brasil e uma das principais pragas invasoras no mundo, tendo causado muita preocupação nos últimos anos por conta de seu deslocamento entre países.

A formiga lava-pés é uma das principais pragas invasoras no mundo

Nativa da América do Sul, a Solenopsis invicta se deslocou pelo continente até chegar aos Estados Unidos, onde se estabeleceu no sul do país há quase um século. Dali, partiu para conquistar Califórnia, Caribe, China, Taiwan, Filipinas e Austrália em pelo menos nove invasões distintas.

Segundo os autores, trata-se de uma história com implicações importantes, uma vez que o impacto econômico da praga é superior a US$ 6 bilhões de dólares por ano apenas nos Estados Unidos. A agressiva lava-pés afeta comunidades locais de insetos, promovendo desequilíbrio ecológico e favorecendo o desenvolvimento de organismos nocivos à agricultura.

O nome comum da formiga deriva da característica de subir rapidamente pelas pernas quando alguém pisa no ninho, injetando por meio de seus ferrões um veneno de alcaloides que provoca dor intensa. Além de dolorida, sua picada provoca bolhas, alergias e até choque anafilático. A espécie se alimenta de plantas, animais e alimentos domésticos.

No novo estudo, os cientistas analisaram variações genéticas de 2.144 colônias de formigas lava-pés em 75 locais no mundo de modo a traçar a sua proliferação. O estudo verificou que a base norte-americana do inseto foi o ponto de partida para todas as invasões identificadas, com exceção de uma, que foi da Califórnia a Taiwan.

Os resultados da pesquisa apoiam a presença do chamado “efeito de ponte”, no qual uma única população – ela própria estabelecida por uma invasão anterior – torna-se a fonte de repetidas invasões em novas regiões.

Os autores apontam que provavelmente a Solenopsis invicta chegou aos seus destinos principalmente por meio de navios e ressaltam que o aumento no comércio e turismo globais pode incorrer em novas invasões da formiga pelo mundo.

por Alexandre Gonçalves – O Estado de S.Paulo

– Vocês acharam o corpo em uma floresta?

– Não. Em um descampado.

– O homicídio não ocorreu lá. Tudo indica que foi dentro de uma mata fechada.

O biólogo José Roberto Pujol Luz, da Universidade de Brasília (UnB), fornecia uma informação importante para os peritos. Ele não precisou examinar o corpo. Bastaram algumas larvas obtidas do cadáver. Pujol pertence ao restrito grupo de brasileiros que se dedicam à entomologia forense – ciência dos insetos aplicada à solução de crimes.

Um assassino, no interior de Minas Gerais, arrancara dedos, dentes, olhos, orelhas e nariz do cadáver. Sem conseguir identificar a vítima, os policiais utilizaram a pista de Pujol para procurar o criminoso nas cidades vizinhas: as larvas pertenciam a espécies da mata e não havia florestas no município onde o corpo foi encontrado.

Post-mortem. “As larvas de moscas já têm 2 centímetros”, observa Watson. “Isso significa que a morte ocorreu há 10 ou 12 horas.” No filme Sherlock Holmes, de 2009, o amigo do famoso detetive exemplificou o principal uso da entomologia forense: a estimativa do intervalo decorrido entre a morte e a descoberta do corpo – uma variável conhecida como intervalo post-mortem.

“Os insetos funcionam como um cronômetro”, aponta Arício Linhares, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considerado o iniciador da entomologia forense no País.

Graças ao seu aguçado olfato, as primeiras moscas chegam poucos minutos após a morte. Normalmente, depositam os ovos em locais protegidos, como os ouvidos, o nariz ou a boca. O tempo de desenvolvimento das larvas depende da espécie do inseto e da temperatura.

Depois de 72 horas, as previsões para intervalo post-mortem obtidas por critérios médico-legais se tornam muito imprecisas. É quando a entomologia forense surge como uma alternativa interessante.

Janyra Oliveira da Costa, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, no Rio, recorda quando foi chamada para periciar um homem enforcado. Apesar do rosto desfigurado, o corpo apresentava um estado incomum de conservação.

Confusos, os legistas apostavam em uma morte recente. Ao investigar os insetos, Janyra percebeu o erro. As larvas mais velhas, aquelas que os peritos criminais procuram em primeiro lugar, testemunhavam uma morte ocorrida há semanas.

Linhares lembra o caso de uma garota encontrada morta em um canavial no interior de São Paulo. O cadáver já não permitia uma estimativa precisa do momento do crime. O médico-legista arriscou que o crime havia acontecido no fim de semana anterior. O palpite inocentava o namorado da vítima, que possuía um álibi para o período.

A equipe da Unicamp contestou: os insetos mostravam que o crime ocorrera dias depois, durante a semana. “Devolvemos o namorado à cena do crime”, afirma o pesquisador. O rapaz acabou confessando o assassinato.

Linhares procura funções matemáticas que permitam, com base na espécie, na temperatura ambiente e no peso das larvas, determinar sua idade.

Pupas. Claudio Von Zuben, da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), em Rio Claro, também recorre à matemática para encontrar protocolos que facilitem a vida dos peritos.

No fim do período larval, os insetos costumam deixar o cadáver e procurar o solo, onde se enterram, transformando-se em pupas. Só depois emergem como formas adultas e aladas. As pupas são importantes para a perícia, pois costumam ser mais velhas que as larvas e, por isso, oferecem uma estimativa mais precisa do intervalo post-mortem.

“Não faz sentido o perito remover duas toneladas de terra para encontrar pupas”, aponta Von Zuben, que desenvolveu protocolos periciais para a tarefa de achar pupas com o mínimo esforço e o máximo resultado.

Alexandre Uruhary trabalhava no laboratório de Pujol, na UnB, quando foi chamado para auxiliar a perícia dos locais relacionados a um crime que chocou Brasília. “Chegando lá, vi que os insetos contavam uma história com muita clareza”, afirma Uruhary.

Policiais procuravam uma jovem desaparecida. Acompanhando de longe a investigação, o assassino percebeu que chegavam cada vez mais perto do corpo e resolveu escondê-lo em outro lugar. Uruhary não teve dúvidas ao ver um local repleto de pupas de moscas Chrysomya, as primeiras a colonizar o corpo: era o local do crime.

Tudo indicava que o assassino não havia conseguido realizar seu intento de transladar o cadáver e o deixou pelo caminho. Larvas de besouros, que só iniciam seu trabalho mais tarde, foram achadas onde o corpo havia sido deixado, possibilitando estimar quando o criminoso retornou ao local do crime para escondê-lo.

Precisão. Patrícia Thyssen, da Unicamp, resolveu associar a entomologia forense à biologia molecular. Análises genéticas das larvas facilitariam sua identificação, que não dependeria mais de um conhecimento tão específico quanto a taxonomia de larvas de insetos, mas de um protocolo preciso e relativamente fácil de reproduzir.

Além disso, as ferramentas moleculares permitiriam diferenciar geneticamente populações de uma mesma espécie, mas que habitam lugares diferentes. Dessa forma, seria possível estimar com mais precisão o local onde aconteceu o crime, muitas vezes diferente do local onde o corpo é encontrado.

As novas tecnologias também transformam os insetos em verdadeiros registros químicos de como estava o organismo de uma pessoa no momento da sua morte. Substâncias que desapareceriam sem deixar rasto com a decomposição do corpo são preservadas nos insetos.

“É possível descobrir se a vítima de um crime usou algum tipo de droga: de cocaína a remédio para pressão”, aponta Linhares. Basta analisar quimicamente as larvas ou as pupas.

Fonte: estadao.com.br

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Isto me lembra muito do CSI -Investigação criminal, que passa de segunda a sexta na Tv Record por volta das 21:00. E pensar que nos EUA estas coisas de investigação forence já existem faz tempo, aqui no Brasil, as coisas estão apenas engatinhando.

Dupla de ganhadores é de origem russa, mas trabalha na Inglaterra; um deles já havia ganho o IgNobel.

por Carlos Orsi – estadão.com.br

O Prêmio Nobel de Física de 2010 foi concedido a Andre Geim e Konstantin Novoselov, por terem sido os primeiros cientistas a identificar, isolar e caracterizar o primeiro cristal bidimensional já descoberto, o grafeno, composto por uma única camada de átomos de carbono.

Ilustração de uma tela de grafeno, com átomos de carbono ligados em hexágonos

O trabalho de Novoselov e Geim, com a descrição detalhada do grafeno, foi publicado na revista Science em 2004, o que faz do prêmio deste ano um dos reconhecimentos mais rápidos na história do Nobel.

O ganhador do prêmio de Medicina anunciado ontem, Robert Edwards, criador da inseminação artificial, teve de esperar 30 anos pelo reconhecimento.

Novoselov é um dos ganhadores mais jovens da história do Nobel de Física, com 36 anos, enquanto Geim tem 51. Ambos os ganhadores são russos de nascimento. Geim tem nacionalidade holandesa e Novoselov tem dupla cidadania, russa e britânica. Ambos iniciaram suas carreiras na Rússia.

Durante o anúncio do prêmio, os representantes do comitê Nobel de Física mencionaram várias promessas tecnológicas ligadas ao grafeno, um material que se parece com uma tela de arame, mas com um único átomo de espessura.

Entre os possíveis usos mencionados estão a aplicação no sequenciamento de DNA, na criação de novos tipos de célula de energia solar, na detecção de moléculas, na criação de aparelhos eletrônicos dobráveis e flexíveis.

O grafeno é um bom condutor de eletricidade e também é transparente, o que faz dele um forte candidato para o uso em tecnologia eletrônica, por exemplo em telas sensíveis ao toque.

“Este é um prêmio bem merecido”, disse Phillip F. Schewe, porta-voz do instituto de Física dos Estados Unidos.

“Grafeno é o material mais delgado do mundo, é um dos mais fortes, talvez seja o mais forte, do mundo. É um excelente condutor. Elétrons se movem por ele muito depressa, o que é uma coisa desejável em circuitos”, disse Schewe.

Ele declarou que o grafeno pode ser um bom material para a produção de circuitos integrados, pequenos chips com milhões de transistores que são a espinha dorsal das telecomunicações.

Geim já havia ganho um IgNobel, há dez anos, por usar campos magnéticos para levitar um sapo.

“Acho que sou o primeiro a receber os dois”, declarou Geim, com orgulho, via teleconferência, ao ser contatado pelo comitê.

No ano passado, seu trabalho com grafeno já lhe havia rendido um importante prêmio científico europeu.

“Meu plano para hoje é voltar ao trabalho e terminar um artigo em que venho trabalhando. Não quero ser um cientista que para tudo depois de receber o Nobel”.

Geim elogiou o IgNobel por “estimular o senso de humor na comunidade científica”. Ele disse que o grafeno e outros cristais bidimensionais deverão mudar o mundo da mesma forma que os plásticos mudaram, nos últimos 50 anos.

O Nobel de Medicina ou Fisiologia foi o primeiro dos prêmios de 2010 a ser anunciado, na segunda-feira. Na quarta será apresentado o Nobel de Química; Literatura sai na quinta; Paz, na sexta e Economia, na segunda-feira, 11 de outubro.

Os prêmios foram criados pelo inventor e empresário sueco Alfred Nobel e entregues pela primeira vez em 1901, cinco anos após sua morte. Cada prêmio inclui cerca de 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,5 milhão) um diploma e uma medalha de ouro.

Veja abaixo o link para o artigo que valeu o Nobel.

documento Electric Field Effect in Atomically Thin Carbon Films (o artigo que valeu o Nobel)

Fonte: estadao.com.br