Category: Musica


Entrevista com a cantora Pitty, realizada no programa The Noite, no SBT em 08/10/14.

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Que país é esse?
(Renato Russo)
“Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato grosso, Minas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?”

que pais é esse 2

Que país é esse?

por Gustavo Ojuara (Blog do brasileirinho).

Até quando esperaremos por algo, jovens do Brasil  vamos a luta,  pois nem tudo  é ficar sentado e esperar que se resolva sozinho, vamos atrás de soluções, vamos reclamar e bater em pé, por que o Brasil é nosso, se não lutarmos por nosso país, quem lutará? Não estou falando de armas, pelo menos de armas de fogo, mas falo que devemos estar armados de moral, de conciencia e sede de justiça, fazer protestos, e gritar por um país mais justo, pois é isso que necessitamos, porque quem não reclama, não tem voz. Devemos provar para todos, que os jovens do Brasil não estão ou são acomodados ou acha que vamos esperar algo cair do céu? Pois as únicas coisas que caem do céu é a chuva, é granizo, ou um raio em nossas cabeças, nada mais.

No final da música, Tico Santacruz usando uma máscara do Anonymous, detona e solta o verbo em protesto contra os políticos corruptos.

Abaixo está a manifestação do Anonymous apoiando a atitude de Tico Santacruz:

Caros amigos de todo o Brasil,

Na semana que vem, o Congresso poderá votar um projeto de lei que representa um golpe contra a liberdade da internet dos brasileiros. A pressão da opinião pública barrou o projeto de lei em 2009 e nós podemos fazer isso de novo. Vamos usar a web para derrotar esse projeto de lei! Envie agora mesmo uma mensagem aos parlamentares sobre o assunto:

Na semana que vem, o Congresso poderá votar um projeto de lei que restringiria radicalmente a liberdade da internet no Brasil, criminalizando atividades on-line cotidianas tais como compartilhar músicas e restringir práticas essenciais para blogs. Temos apenas seis dias para barrar a votação.

A pressão da opinião pública derrotou um ataque contra a liberdade da internet em 2009 e nós podemos fazer isso de novo! O projeto de lei tramita neste momento em três comissões da Câmara dos Deputados e esses políticos estão observando atentamente a reação da opinião pública nos dias que antecedem à grande votação. Agora é nossa chance de lançar um protesto nacional e forçá-los a proteger as liberdades da internet.

O Brasil tem mais de 75 milhões de internautas e se nos unirmos nossas vozes poderão ser ensurdecedoras. Envie uma mensagem agora mesmo às lideranças das comissões de Constituição e Justiça, Ciência e Tecnologia e Segurança Pública e depois divulgue a campanha entre seus amigos e familiares em todo o Brasil:

http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?vl

O projeto de lei do deputado Azeredo sobre a internet supostamente teria o objetivo de nos proteger contra fraudadores e hackers. Porém, como alguém que faz uma cirurgia com uma motosserra, as normas excessivamente cautelosas impostas pelo projeto de lei trariam altíssimos custos sem de fato cumprir seu objetivo. Em vez de capturar os verdadeiros criminosos, elas penalizariam todos nós. Por esse motivo, até mesmo o importante site anti-pedofilia, o SaferNet é contra o PL Azeredo.

Se esse projeto de lei for aprovado, nossa privacidade e liberdade de expressão, criação e acesso on-line ficarão gravemente limitadas. Pior que isso, os provedores de internet que mantêm informações detalhadas sobre nosso histórico de navegação na internet passarão a ser “policiais virtuais” monitorando os usuários a todo momento.

O projeto de lei tem circulado em Brasília por mais de uma década, e a pressão da opinião pública já o derrotou antes. Em 2009, uma consulta pública sobre o “Marco Civil da Internet” barrou o andamento do projeto. Mas alguns meses atrás, o deputado Azeredo tentou apressar a aprovação no Congresso, usando os ataques de crackers aos sites do governo como desculpa. Um novo Congresso e uma maior conscientização sobre as amplas implicações do projeto de lei significam que nossas vozes poderão fazer a diferença. Envie agora mesmo uma mensagem às lideranças na Câmara:

http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?vl

Infelizmente, o PL Azeredo não é a única lei desse tipo. Em todo o mundo, na Índia, Turquia, Estados Unidos e outros países, a liberdade da internet está sob ataque promovido por iniciativas similares. Mas os membros da Avaaz nesses países estão se mobilizando. Vamos fazer a nossa parte neste movimento popular global em defesa da web barrando o PL Azeredo.

Com esperança,

Emma, David, Ricken, Maria Paz, Giulia, Rewan e a equipe da Avaaz

por Christian Carvalho Cruz – O Estado de S. Paulo

O Martinho da Vila é aquele tipo de boa-praça que fala rindo. Pode estar dizendo algo da maior seriedade, só que as frases saem leves feito pluma, parecem não ter a menor gravidade. Mas não se deixe engambelar por esse bico-doce, principalmente se o verso for sobre o carnaval – uma coisa seriíssima pra ele. Tão séria que dá pena (do carnaval, não do Martinho). “Tudo gira em torno do lucro hoje. Ninguém faz mais nada por prazer. O carnaval está fora de sua origem”, ele comenta na entrevista a seguir, se referindo a algo que não é novo, mas, vindo de quem vem, a gente senta e ouve com atenção.

Martinho José Ferreira, 73 anos completados sábado, 12, “mas com a cabeça de 37”, compôs oito sambas e criou seis enredos (dois campeões) para sua Vila Isabel. A primeira letra, de 1967, parceria com Gemeu, ele chamou de Carnaval das Ilusões. Ilusão é artigo que ainda abunda entre bundas e tamborins hoje em dia, mas não no bom sentido. Ilusão acreditar que a top model madrinha da bateria está ali porque é a-pai-xo-na-da pela escola. Crer que o mestre-sala frequenta a quadra da escola desde pequenininho. Achar que o samba foi escrito por amor à arte e às origens. As ilusões carnavalescas agora são outras. E não custam barato.

Que o diga a Vila do Martinho. Neste ano ela levará à Sapucaí um enredo sobre cabelos. Devidamente patrocinada por uma marca de xampu. Chora, cavaco!

Qual foi seu primeiro carnaval?

No Rio tinha um bloco chamado Chave de Ouro, que saía na zona norte da cidade. Eu me lembro de gostar muito de brincar nesse bloco. Eu devia ter uns 12 anos. Era tão diferente… O carnaval era mais da cidade toda, sabe? A cidade inteira se envolvia. Havia coreto nos bairros, a folia se dava ali. Quem patrocinava eram os comerciantes da região. E até as pessoas que não eram do samba propriamente dito iam pras ruas fantasiadas, todo mundo participava.

Pobres e ricos se misturavam?

Os ricos brincavam em outro local, nos clubes, nos corsos, nos ranchos. Isso foi caindo e a escola de samba, absorveu tudo: as alegorias dos corsos, as fantasias dos ranchos. Até que ficou essa coisa enorme que é hoje. E aí, sim, com as escolas, é que começou a haver mistura entre pobres e ricos. Só que perdeu a interação com a cidade. Noutros tempos, o rádio só estaria tocando música de carnaval neste mês. O carnaval não é mais vivido por muito tempo. Passa logo. Hoje o dinheiro está mais presente e tudo ficou muito ligeiro. A velocidade do cotidiano influencia o carnaval de maneira marcante. Ninguém tinha muita pressa quando não havia organização oficial. Os blocos saíam na hora que quisessem, ficavam na rua o tempo que quisessem. Hoje, como aumentou a densidade demográfica, é preciso organizar. Se for tudo liberado a cidade para. E também não existiam escolas grandes. Você ficava na avenida o tempo que achava conveniente, sem a pressão do relógio.

A organização deixou o carnaval chato?

A organização fez a escola de samba ganhar uma importância enorme. Era uma coisa inicialmente só de sambista do morro, hoje é de toda a sociedade. Então, até TV resolveu entrar nesse lance, porque viu uma oportunidade de lucrar. O carnaval não era uma atividade lucrativa e nem era esse o objetivo. Mas assim vai ficar, porque as coisas não voltam para trás.

Quanto do carnaval é dinheiro e quanto é paixão hoje em dia?

Tudo é comercial, precisa gerar receita. Ninguém faz nada mais por prazer. O carnaval está completamente fora de sua origem. Virou indústria. O cara que é da escola de samba, que participa efetivamente, não precisa de dinheiro para sair no carnaval. Ele não paga a fantasia. Os que vêm de fora e pagam ajudam a bancar o sambista. Em contrapartida, para você desfilar numa escola de samba, se for de comunidade, tem que participar obrigatoriamente dos ensaios. Ensaio de escola de samba só falta ter cartão de ponto. Quem não aparece perde a fantasia. Mas o sujeito gosta, aquilo é importante para ele. Não por causa da televisão, porque ele quer ser visto, nada disso. Essa, aliás, é uma coisa que não mudou. O cara do morro gosta da escola porque ela continua sendo a única opção de lazer dele. Ele não tem clube com piscina. Tá longe da praia. Então a escola vira a vida do cara. Como alegria de pobre é pouca, a escola tem essa função: de alegrar, divertir, distrair.

Os ditos moradores do asfalto têm ligação, têm proximidade com o dia a dia da escola?

A maioria não tem ligação. Mas, como a escola de samba não é mais só do sambista, ela é de todos agora, e é uma coisa apaixonante, o cara do asfalto vai a um ensaio e é imediatamente contaminado, fica louco. É uma magia difícil de explicar. Inclusive, esse pessoal da sociedade também se submete às regras. A top model que vira madrinha da bateria tem que ir ao ensaio. Se não for, trocam ela. Há uma margem pequena de manobra. Uma escola sai com 3.500 componentes, em média. Ela dá 2 mil fantasias, para garantir que os moradores da comunidade possam desfilar. Agora, um gringo compra a fantasia e chega na última hora. Pra isso tem essa margem de 500 a 1.000 fantasias. A conta é a seguinte: uma ala de 100 componentes comporta até 30 gringos sem que eles atrapalhem o desfile (risos).

Quem ganha mais com as celebridades no carnaval: elas mesmas, a escola, a TV?

Há uma troca. O cara que sai na bateria não tem condição de ver uma estrela fora da TV ou da revista. Então, quando ela vai à quadra, o cara se sente honrado. Já o artista vive de cartaz, então celebridade desfila para aparecer, não por desfilar. Eu acho bom, porque mistura as classes sociais.

No sambódromo essa mistura é menor, não é? Tem camarotes pra uns, arquibancadas na chuva pra outros…

Ah, mas isso é o Brasil. A seleção em nosso país se dá pelo dinheiro. Para socializar o camarote só quando a sociedade brasileira estiver mais equilibrada. Por enquanto é o lucro que manda. Por isso o carnavalesco é profissional, os mestres-salas, as porta-bandeiras… Todos eles são funcionários contratados pelas escolas.

E você gosta que seja assim?

Não gosto. Eu preferia no passado, quando todos se sentiam donos da escola e se esforçavam para fazer a coisa acontecer. Os moradores iam varrer a quadra, vender cerveja nos ensaios… Hoje, não. Todo mundo ali está trabalhando. A Vila Isabel tem uns 400 empregados. Por um lado é bom, porque dá emprego, mas mata a paixão. Até no carnaval o capitalismo venceu. Antigamente, a glória de um sambista era ter seu samba cantado na avenida. Hoje tem resultados financeiros no jogo. Para seu samba ser escolhido, você tem que contratar um puxador que vá defendê-lo na quadra em todos os ensaios. Um puxador, dois ritmistas e um cavaquinho. Isso custa dinheiro. De graça ninguém faz mais. E o puxador pode ser nascido na Portela, por exemplo, mas é contratado pelo compositor para defender o samba da Vila Isabel. E ele vai, claro, pra ganhar um dinheiro.

Isso soa tão anticarnaval…

As escolas estão quase como os clubes de futebol. Eles não têm mais jogador, que pertence a empresários, patrocinadores, a todo mundo menos ao clube. As escolas também não têm mais o seu mestre-sala, o seu diretor de bateria. Terminou o carnaval, começam as contratações. As escolas disputam o diretor de harmonia que foi bem naquele ano, o mestre de bateria mais premiado… Neste ano, quando der abril já vai estar todo mundo contratado, e possivelmente por uma escola diferente da que desfilou.

De quanto dinheiro estamos falando?

O samba escolhido rende pros autores uns R$ 200 mil. O problema é que boa parte ele gasta antecipadamente, fazendo campanha, promoção. São mais ou menos 20 ensaios. Então ele tem que contratar a torcida, tem que pagar a cerveja, tem que dar certas vantagens pras pessoas torcerem pro seu samba dele. Você freta ônibus e leva gente de um bairro a outro pra torcer pro seu samba. Normalmente é assim: o cara acaba de defender um samba numa escola, o pessoal sai todo, entra no ônibus em que chegou e vai para outra quadra defender outro samba. Uma maluquice.

É assim até para um Martinho da Vila?

No ano passado o samba vencedor da Vila Isabel foi meu, sobre Noel Rosa. Mas foi diferente. A escola queria muito um samba meu e decidiu que não teria concurso. Mas aí alguém sacou que entra muito dinheiro nesse período de disputa dos sambas. As quadras ficam cheias, se vende muito ingresso, muita cerveja. Sem concurso, é prejuízo. Então decidiram fazer o concurso. Escrevi o samba e escola se encarregou de defendê-lo por mim. Não gastei muito do meu bolso. Mas aí, quando saiu o resultado, eles descontaram tudo o que tinham gastado na campanha. Pra mim sobrou muito pouco. Com um show simples eu ganho bem mais. Como negócio é ruim, mas eu adoro, é um prazer danado, uma oportunidade de mostrar minha capacidade criativa.

E se te chamassem pra fazer um samba sobre chocolate porque o desfile vai ser bancado por um fabricante de chocolate?

Pois é… Hoje o carnaval está atrelado a isso. É um problema. Uma escola para ser competitiva tem que gastar uns R$ 5 milhões. Ela tem da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) uns R$ 3 milhões. Faltam R$ 2 milhões, que pode ganhar com ensaios, venda de fantasia, ingressos, etc. Eu acho que com criatividade dá para fazer um carnaval bem bom com isso. Mas dentro do padrão atual, que é o luxo, uma alegoria custando o preço de um apartamento, a escola acaba pensando primeiro em quem pode bancar o desfile e só depois define o enredo. Antigamente era o contrário. Digamos que eu achasse legal fazer um enredo sobre a história do Estadão, por vontade minha. Eu faria e depois procuraria a direção do jornal pra ver se eles poderiam dar uma ajuda, uma colaboração. Se não pudessem, sairia do mesmo jeito. Agora é o oposto. Primeiro se procura o patrocinador, depois se pensa no enredo.

Mas isso não amarra a criatividade?

É mais difícil e menos apaixonante. Fazer um samba sobre o Noel Rosa é mais legal do que fazer sobre um sobre cinzeiro, sobre cerveja ou qualquer outro produto. Isso explica a pirotecnia e o luxo dos carros, das fantasias. É para preencher a falta de criatividade. É como o artista. Se o cara canta bem, sozinho faz um show. Basta uma sonorização legal, uma iluminação básica e ele faz um espetáculo apaixonante e inesquecível. Hoje tem uns aí que até sobrevoam a plateia, pendurados em cabo de aço. É uma coisa complicada…

Por causa do incêndio na Cidade do Samba essa semana decidiu-se que não haverá rebaixamento no desfile deste ano. Também foi bonito ver escolas rivais se oferecendo para ajudar as que perderam alegorias e fantasias no fogo. Será que esse incêndio, por mais triste que seja, vai depurar um pouco essa pegada mercantilista do carnaval?

Não, não, não. As escolas sempre se ajudaram. Me lembro de uma época de vacas magras na Vila Isabel em que eu recorri a escolas adversárias. Bati em diversas portas e cada uma contribuiu com o que pôde. Me emprestaram uma alegoria aqui, outra coisinha ali… Rivalidade ferrenha é só no dia do resultado. Nem no dia do desfile tem. Isso vem da noção de comunidade, eu acho. Aquela coisa de bater na porta do vizinho pra pedir açúcar, sabe como é? Mesmo que as famílias não se gostem, o camarada dá, porque sabe que no dia seguinte pode ser ele precisando do açúcar. Teve um ano que uma escola chegou na avenida sem nenhum instrumento da bateria, não me lembro que problema deu. Então, momentos antes do desfile, as escolas que já tinham desfilado emprestaram os instrumentos. Mas o incêndio não vai mudar nada. Até porque o dinheiro continua forte. A Grande Rio vai receber uma ajuda extra de R$ 1,5 milhão. A Portela e a União da Ilha, R$ 750 mil cada. O que vão repensar é só a segurança dos barracões, porque não dá pra ficar cara com maçarico perto de isopor.

Você vai desfilar neste ano?

Eu quero realizar um sonho: desfilar como simples componente. Isso nunca aconteceu. Eu sempre saí com alguma função. Na ala dos compositores, como diretor disso e daquilo, ou para levantar aplausos da torcida. Agora eu quero desfilar sem função, só para curtir mesmo.

Fonte: Estadao.com.br

Ao deixar músicas renegadas no arquivo, esses gênios correm um sério risco. Um dia eles morrem, alguém abre essa gaveta, e aí tudo pode acontecer

Julio Maria – O Estado de S.Paulo

Estejam onde estiverem, eles não podem falar mais nada. E, suponha-se, isso deve ser bem angustiante. Michael Jackson é o morto da vez. Sua gravadora, a Sony Music, crente de estar fazendo um favor ao mundo pop, colocou no site do artista, no início da semana, uma música que Michael nunca gravou, especula-se, por não gostar nada do que fez. Breaking News, que estará em um disco de inéditas a sair no dia 14 de dezembro, ficou disponível por cinco dias, tempo suficiente para tirar o pino de uma granada. De tão “trabalhada em estúdio”, a canção chega a alterar o timbre da voz de Michael, um dos últimos patrimônios pelos quais ele prezou em vida. Brian Oxman, advogado de Joe Jackson, pai do cantor, falou em heresia. “Canções como essa são faixas incompletas que Michael Jackson disse várias vezes ser contra o lançamento.”

Os fãs pegaram o bonde e contestaram até a veracidade da voz de Michael, querendo dizer que aquele que canta é, na verdade, algum zumbi do Thriller. A Sony, em nota, garantiu que é Michael, sim, mas não se livrou da chuva de pedras que deve voltar a cair em seu telhado assim que lançar o disco póstumo, à revelia do músico.

Sem o outro lado para contestar, a obra de um artista passa a ser administrada por lei por seus herdeiros, que podem agir como guardiães do cálice sagrado ou caçadores de relíquia. A música brasileira, com talento para render imortais de sobra, começa a despertar para a indústria da obra post-mortem, algo que dá muito mais trabalho e dinheiro do que a obra em vida, já que mito é o tipo de coisa que não acaba nunca. Assédios de gravadoras para lançar registros empoeirados, artistas que aparecem com parcerias em fitas cassete de 1942, gente disposta a revirar gavetas para descobrir qualquer fagulha de criação, nem que seja do além. “Sempre aparece algum médium aqui em casa dizendo que tem uma música inédita psicografada do Cazuza. Mas Cazuza jamais escreveria com aquelas palavras”, diz João Araújo, pai do artista.

Incansáveis. O roqueiro Renato Russo é um dos que nunca descansam. O último relançamento de sua Legião Urbana, feito pela gravadora EMI, recolocou todos os discos do grupo nas lojas em LPs, CDs e novos formatos, sem músicas inéditas, mas com fotos e encartes que não havia nos originais. O jornalista e pesquisador Marcelo Fróes também realiza frequentes partos de materiais de Renato. Um deles, Renato Russo: Duetos, lançado este ano, traz encontros do roqueiro com outras vozes que rendem resultados, para pegar leve, passíveis de serem submetidos à análise do criador. “O Renato teve uma doença que o matou lentamente durante cinco anos. Se houvesse algo que ele gostaria que não fosse lançado, ele mesmo teria destruído”, diz Fróes. Não é bem assim para Marcelo Bonfá, baterista e amigo de Russo por três décadas. “Não concordo que ele seria frio e calculista a esse ponto. Nem se quisesse apagar algo ele conseguiria, era muita coisa.”

A ausência do OK de um morto não é exatamente a interdição daquilo que ele não teve tempo para lançar em vida. Cazuza, diz seu pai João Araújo, deixou “duas ou três letras” que devem vir à tona assim que um parceiro ideal for localizado para fazer as músicas. Algo que pode levar um bom tempo. “São canções que ele mesmo nos disse que gostaria de lançar.” O que jamais será permitido, segundo João, é uma traição aos princípios do artista, liberando, por exemplo, suas criações para serem alteradas e usadas em propagandas publicitárias. “Isso ele não permitiria.”

Outro gigante detalhista chama-se Tim Maia. Detalhista e bagunçado. Tim gravou de tudo, com muita gente, e deixou um rastro de feitos, muitos dos quais sequer localizados. Agora, seus representantes anunciam ao Estado que farão um rastreamento de tudo que leve a voz de Tim Maia. “Vamos começar uma grande pesquisa em janeiro de 2011. Já vi algum material, são fitas cassete, VHS, vamos ter de tomar muito cuidado”, diz Julio Cesar Figueiredo, advogado de Carmelo Maia, filho e único herdeiro reconhecido do cantor. Uma das obras mais aguardadas pelos fãs é o disco Racional 3, sequência de dois álbuns lançados em 1975, quando Tim fez parte da seita Universo em Desencanto. O problema foi quando o desencanto de Tim ficou maior que o universo, e aí a casa caiu.

Quando imaginou estar sendo trapaceado pelo líder da tal seita, mandou recolher todas as cópias dos álbuns. Oito anos depois de sua morte, os discos foram lançados. “Fizemos isso porque sabíamos pelo próprio Tim que era um desejo dele ter isso relançado. E os discos, musicalmente, são muito bons”, diz João Marcello Bôscoli, responsável pela gravadora Trama, que fez os relançamentos.

A sete chaves. Arquitetar a posteridade não é uma preocupação de malucos beleza. Sendo assim, Raul Seixas não pensou muito em assuntos além-túmulo e acabou deixando por aí um espólio vistoso. Tudo hoje é controlado por suas três filhas, mas quem tem as maiores relíquias é um homem chamado Sylvio Passos, produtor e fundador do primeiro fã clube de Raul no Brasil. Sylvio diz ter material para lançar mais dez álbuns inéditos de Raul. Canções novas, sobras de estúdio e muita, mas muita gravação ao vivo, algo que nem sempre é sinônimo de qualidade. Um de seus mimos é um show de Raul na segunda edição do Festival de Águas Claras, de 1981. Outra peça rara é uma versão de Cowboy Fora da Lei, que aparece em forma de country pesado e com outra letra. E o que ele jamais poderia lançar, em respeito à memória do amigo? “Ah, não posso nunca mostrar as gravações que chamávamos de “tratado de amenidades”. Quando estávamos muito loucos, começávamos a tocar e a falar mal de todo mundo. Gravamos tudo, mas essas coisas vão virar cinzas comigo.”

Presente e além. Mitos podem evitar indigestões póstumas preparando seus negócios para o caso de, sabe como é, baterem as botas – algo que Michael Jackson, Elvis Presley, Jimi Hendrix, John Lennon e Janis Joplin não fizeram por justamente sucumbirem do dia para a noite, sem aviso prévio. “Já lançaram um disco da minha mãe, o Ao Vivo no Festival de Jazz de Montreux (de 1982), que ela não gostava”, diz João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina. Aos vivos, a discussão parece agourenta. Muita gente que soube do conteúdo desta matéria preferiu bater três vezes na madeira e desligar o telefone.

“A gente aqui pensa no presente”, respondeu uma funcionária do escritório que cuida dos direitos autorais de Roberto Carlos, que pediu para não ser identificada. “É um assunto delicado. Ele não gosta de falar nisso.” Roberto está na lista dos alvos inquestionáveis da indústria da posteridade. Se já é mito em vida, imagine depois. Gravações e duetos com sua voz brotarão de Bom Jesus a Quixeramobim, tudo disputado a tapas. E o artista conhecido por cuidar de seus discos com um preciosismo de ourives pode ver sua obra brincar a farra do boi. “Ele tem mais de 200 músicas que nunca gravou, mas que outros gravaram. E dezenas de obras inéditas que nunca foram gravadas por ninguém. Essas ficam no estúdio, com ele”, diz a fonte. Se o Rei não gostar de nenhuma delas, a história dá a dica: que faça uma fogueira.

MEMORÁVEL TRÍADE

1. Raul Seixas

Raul deixou um legado de dar arrepios. O show ao vivo em Águas Claras, de 1981, nunca lançado, mostra a surpresa de Gonzagão ao olhar para a plateia, ver o povo com violões erguidos e perguntar: “É isso aqui a Sociedade Alternativa?” Outra pérola é uma Cowboy Fora da Lei inédita.

2.Tim Maia

Gênio desorganizado, Tim dá trabalho ao filho Carmelo, que vai rastrear o País em busca das gravações do pai. Oito anos após a sua morte foram lançados os álbuns Racional 1
e 2, que Tim mandou retirar das lojas por não mais concordar com a seita que os inspirou.

3. Cazuza

Não deu muita sopa para o azar, deixando pouco material inédito. Seu pai, João Araújo, diz ter duas ou três letras nunca reveladas, que aguardam um parceiro ideal para virarem música. O que ele não permitiria é o uso de suas canções para fins publicitários.

Fonte: http://www.estadao.com.br/

Isso mesmo, começou neste instante (23:20 10/11/2010, hora de Brasília) o show ao vivo de graça pela internet via Youtube do Bon Jovi, diretamente de Nova York. (requer no minimo uma conexão ADSL banda larda ).

Acesse aqui e assista –> http://www.youtube.com/BonJovi

Muito bem galera, acabou agora ás 0:28 em 11/11/2010 o show via Youtube. Parabéns para quem viu e curtiu.