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‘Modelo de debate está esgotado’

Esse é o consenso entre 4 representantes de ONGs sobre o formato engessado dos encontros na TV

26 de outubro de 2010 | 1h 34

por Flávia Tavares

A sociedade tenta. Organiza-se, mobiliza-se, age. Monta entidades e ONGs voltadas para cidadania e política, para atrair o poder público para a discussão. Mas os políticos fogem do debate mais profundo. Mesmo quando estão, de fato, debatendo, como ontem, no encontro na TV Record. O Estado convidou quatro representantes de entidades da sociedade civil para assistir ao confronto e analisá-lo.

Seguindo mais ou menos o script usado em todos os debates até aqui, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) se acusaram e, quando puderam, falaram de suas realizações prévias. Mas o diálogo foi pobre. “É uma colcha de retalhos de temas, ninguém se aprofunda em nada”, disse Mauricio Broinizi, historiador e coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo.

Realmente, o debate atravessava assuntos diversos a cada dois minutos de fala dos presidenciáveis. “Devia haver regra para que o candidato não saísse do assunto perguntado”, sugeriu o publicitário Pablo Ribeiro, do site Eu Lembro. Talvez tanta divagação seja calculada e os candidatos queiram atingir um eleitorado específico. “O discurso é para atingir a massa, mas fica até difícil diferenciar um e outro, é tudo muito confuso”, avalia o consultor Rafael Lamardo, diretor do movimento Voto Aberto e do Extrato Parlamentar.

Para Caio Magri, sociólogo e gerente do Instituto Ethos, Dilma pecou em demorar a apresentar dados do governo Lula em comparação aos do governo FHC. “É uma estratégia burra.” Broinizi e Magri lembraram que, nos primeiros debates pós-ditadura, quando “raposas” como Leonel Brizola e Mário Covas participavam, os confrontos eram mais empolgantes. “Claro que ali havia um espaço mais aberto para um projeto de futuro. Hoje, estamos engessados em modelos já definidos”, ponderou Magri. “Sem dúvida, o futuro era mais presente nos diálogos políticos”, concordou Broinizi.

As regras engessadas dos encontros televisivos podem contribuir para esse tom insosso atual. “O modelo parece esgotado. A plataforma para construir ideias e propostas, construir um diálogo político, é a internet”, acredita Lamardo. “O fraco debate na TV e no rádio é retrato da submissão da política ao marketing”, explica Broinizi. Ribeiro complementa: “Tanto que em todos os debates e em todos os programas os discursos são iguais”.

O balanço final dos convidados pelo Estado foi uníssono. Se, por um lado, os candidatos não se esforçam para aprofundar a discussão de temas relevantes para o País, por outro, o formato dos debates não estimula esse aprofundamento. “Esse modelo é intragável e reflete uma legislação ultrapassada, em que os candidatos podem prometer o que quiserem sem ser cobrados por isso”, disse Broinizi. “Se, até 2002, os encontros na TV tinham algum peso, hoje não têm. Ajudaram somente Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio no primeiro turno, porque eles tinham pouco tempo de propaganda”, conclui Magri.

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Análises

Uma luta de esgrima perigosa
Marcus Figueiredo

A primeira grande impressão que fica do debate é que eles esgrimiram muito perigosamente, porque Serra resvalou várias vezes na ofensa pessoal. Como bom debatedor, ele não chegou a ofender, mas a ideia era desqualificar Dilma. Repetiu sistematicamente que o que ela apresenta é tudo mentira, fantasioso e irreal. Com isso, a gente perde o debate e o telespectador é o principal prejudicado. O resultado imediato é Dilma acuada e relativamente nervosa, tentando evitar a possibilidade de ofensas pessoais. Apesar do clima belicoso, a diferença entre os candidatos – e não é o candidato sozinho, porque ele é parte de uma aliança – ficou clara no que se refere à Petrobrás, ao pré-sal e ao MST. Dilma defende transformar a riqueza do pré-sal para financiar o desenvolvimento social. Serra não deixa claro o que fará com esse recursos. Nesse particular, quando o assunto surge, o tucano diz que Dilma estragou a Petrobrás. A segunda diferença é uma frase que parece solta, mas não é. Dilma diz que a questão do MST é social, não de polícia. Serra sugere um tratamento de confronto.
É CIENTISTA POLÍTICO

Serra incisivo, Dilma vacinada
Carlos Melo

Mais um debate, o penúltimo da série; candidatos e público parecem cansados, desgastados. Ainda assim, não é hora para esmorecer, entregar os pontos. José Serra precisava mostrar energia e desconstruir a adversária, que lidera a disputa em todas as pesquisas. Isso o levou a mostrar-se mais incisivo no primeiro bloco, quando o encontro ainda não entrara pela madrugada e a audiência não era tão pequena. Buscou as questões de moralidade pública – que segundo as pesquisas foram o ponto fraco de Dilma, no primeiro turno. Mas, quem com Erenice fere, com Paulo Preto será ferido. Dilma mostrou-se calma, ligeiramente fria. Tinha vacinas e as usou o tempo todo. Ultrapassada a fase da moralidade pública, o tucano trouxe à luz a questão da Petrobrás, acusando Dilma e o PT de terem “privatizado” o petróleo para empresas nacionais e “estrangeiras”. Contraditoriamente com sua base social e com a história de seu partido, assumiu um discurso ao feitio do PT, mais realista que o rei, foi mais estatista que Dilma. Soou esquizofrênico.

É CIENTISTA POLÍTICO

Ambos vão ao ataque, mas empate persiste
José Paulo Martins Júnior

É difícil apontar um vencedor do debate de ontem, a exemplo do que ocorreu nos anteriores. Os temas também soaram conhecidos, mas vieram em falas mais duras do que vinha ocorrendo. Por ter começado após as 23 horas, tanto Dilma Rousseff como José Serra procuraram colocar os tópicos que consideram mais importantes e que podem tirar votos do adversário, como os escândalos Erenice Guerra e Paulo Preto, e reafirmaram suas posições em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à saúde pública. Foi Serra quem trouxe o tema das privatizações ao debate e acabou articulando um discurso esquizofrênico, tentando se mostrar mais nacionalista que Dilma. A petista, por sua vez, pareceu mais segura que nos debates anteriores – ainda tropeçou em alguns momentos, mas cometeu gafes menos graves. Para cativar eleitores de Marina Silva, ambos fizeram promessas em defesa do meio ambiente. Ontem, Dilma e Serra elevaram o tom de suas falas, mas mantiveram o placar empatado, o que, nesse momento, tem mais gosto de vitória para a petista que para o tucano.

É CIENTISTA POLÍTICO

Estilo ‘bateu, levou’ pode afastar eleitores
Marcelo de Moraes

Numa disputa que teve mais de 34 milhões de eleitores se abstendo, anulando suas escolhas ou votando em branco no primeiro turno, chega a ser surpreendente que os candidatos à Presidência utilizem o penúltimo debate na televisão para abusar da troca de acusações. A menos de uma semana da eleição, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra optaram por não deixar nenhum ataque sem resposta. Mesmo que, para isso, precisassem abrir mão de aprofundar suas ideias sobre temas centrais, como política cambial, carga tributária, segurança pública. Em compensação, não faltaram acusações mútuas de serem mentirosos e de terem aliados envolvidos com escândalos. É uma estratégia perigosa e de resultado imprevisível. Críticas são essenciais em debates. O estilo ‘bateu, levou’, consagrado durante o governo de Fernando Collor, não. Pior: nivela por baixo as duas candidaturas. O calor da disputa pode ter tirado o foco dos candidatos. Pode ter tirado algo mais: votos, que podem migrar para abstenção ou anulação.

É JORNALISTA

ALTOS

Dinâmica: A regra que permitiu perguntas diretas, de candidato a candidato, sem interrupções e sorteio de temas, deu mais fluência ao debate. O tempo de 2 minutos para resposta, réplica e tréplica permitiu aos candidatos mais tempo para desenvolverem os temas

Clima: Apesar da dificuldade de se expressar em vários momentos, Dilma estava mais segura e demonstrou uma postura mais agressiva do que em debates anteriores. Serra manteve a tranquilidade, mesmo quando foi acusado de mentiroso pela adversária

E BAIXOS

Sem resposta: Faltou a presença de jornalistas para formularem perguntas aos candidatos. Os profissionais poderiam replicar de forma mais direta quando o candidato fugisse do tema questionado, o que ocorreu diversas vezes durante o debate

Falha técnica: A falha do cronômetro no segundo bloco do programa, durante uma pergunta do candidato José Serra, deixou o clima tenso. Serra não conseguiu concluir sua questão para a adversária e chegou a chamar a atenção do mediador no ar.

Fonte: estadão.com.br

por Jair Stangler e Rodrigo Alvares

O penúltimo debate entre os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), foi marcado por pesada troca de acusações entre os dois. O encontro na TV Record na noite desta segunda-feira, 25. Questionada sobre sua ex-braço direito Erenice Guerra, a petista afirmou que ‘foi um fato importante’ o depoimento dela e voltou a citar o caso de Paulo Preto, dizendo que o ex-diretor da Dersa “levantou dinheiro público” para a campanha do tucano.

Segundo a petista, Paulo é “braço direito, braço esquerdo e talvez até a cabeça. Ele coordenou os principais projetos do Serra, Rodoanel, Marginal e Jacu-Pêssego. E aí quando cai viga, ele diz que isso é ‘competência”‘. “Ela levanta essa questão para dizer que em política é todo mundo igual. Não é não. Ela teve como braço direito uma senhora, a Erenice, que montou um amplo esquema de corrupção na Casa Civil.” Serra afirmou que Dilma foi testemunha de defesa do José Dirceu no caso do mensalão.

Outro tema destacado pelos oponentes foi a política de privatizações nos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula.  Para Dilma, “após a descoberta do pré-sal, o governo suspendeu todos os leilões e que só a Petrobrás tem direito a explorar o pré-sal. A diferença entre nós é que nós acreditamos que o Brasil tem competência para explorar o pré-sal e inclusive a Petrobrás tem condições financeiras para isso, como mostra o grande volume de recursos da capitalização”.

Serra respondeu mencionando concessões de petróleo a 108 empresas, “sendo 53 estrangeiras”. “Acho que a Petrobrás tem de ser fortalecida. Hoje, o Collor comanda operações da Petrobrás. Eu vou re-estatizar a Petrobrás, para não servir a interesses de grupinhos”, atacou.

Veja a transcrição do debate:

22h07 – Movimentação na TV Record é principalmente de jornalistas. Mas alguns políticos já começam a chegar. O governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), já está no local. Quem também se encontra no local é Levy Fidélix (PRTB), que, sem ser incomodado pelos repórteres, delicia-se com os quitutes oferecidos no coquetel para imprensa e convidados.

No penúltimo debate da campanha eleitoral – marcado para as 23 horas desta noite, na TV Record -, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão trocar alfinetadas sobre montagem de dossiês e denúncias de corrupção. Embora os dois candidatos à Presidência garantam que estão interessados apenas na apresentação de propostas, as equipes preparam a dupla para um duelo.

“O estilo de quem é do mal é justamente de quem diz que é do bem. Nós batemos na política e nosso adversário, na baixaria”, afirma o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas, numa referência ao jingle “Serra é do bem”. “Vamos ser incisivos quando precisar. Se quiserem discutir problema de corrupção, vamos discutir. Aliás, tomara que apareça essa questão de dossiê, pois vamos mostrar a guerra entre tucanos.”

Serra, por sua vez, usará o escândalo para alvejar Dilma, alegando que a quebra do sigilo dos tucanos foi ordenada por um grupo de inteligência da campanha petista. “Mas o confronto será na base da civilidade”, diz o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra.

22h38 – Aloysio Nunes (PSDB), senador eleito por São Paulo, chegou à TV Record e disse que, da parte de Serra, espera um debate de propostas. Da parte da candidata Dilma, espera as mentiras que tem falado por parte da campanha petista. “Inclusive a candidata adversária já falsificou o currículo três vezes”, disse. O tucano não quis responder sobre as novas denuncias de Paulo Preto que segundo as quais o ex-diretor da Dersa seria que a empresa que tem como sócios o genro e a mãe dele faria fornecimento para a Dersa e devolveu a acusação dizendo que o PT ainda não explicou de onde veio o dinheiro dos aloprados.

22h40 – A senadora eleita por São Paulo, Marta Suplicy (PT), disse não ter expectativas sobre o debate. Segundo ela, o debate tem vida própria. A senadora também comentou a denuncia da revista Veja, segundo a qual o atual secretario nacional de Justiça  Pedro Abramovay teria reclamado de ordens de Dilma Rousseff para produzir dossiês. “É uma vergonha, desta vez a Veja extrapolou”, afirmou.

22h42 – O ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger e o candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, Michel Temer, também estão presentes na emissora. Temer disse acreditar que a candidata vai ‘puxar pelo pragmático’. Segundo ele, não interessa nenhum dos dois polemizar e disse que José Serra vai mencionar questões como o incidente ocorrido no Rio de Janeiro, no qual  o tucano atingido por um objeto. “Esse negócio de bolinha de papel e rolo de fita, eu não acredito que ele vai usar isso”, disse o candidato a vice.

23h12 – O mediador Celso Freitas começa o debate na TV Record. No primeiro bloco, cada candidato fará duas perguntas alternadamente.

23h14 – Dilma Rousseff faz a primeira pergunta para José Serra sobre os méritos do PAC e o que o tucano pretende fazer caso seja eleito: “Gostaria de saber seus novos projetos de investimentos para beneficiar o Nordeste”.

23h15 – Serra diz que o PAC é na verdade uma lista de obras, sem planejamento e entrosamento entre as obras, ‘com índice de realização muito pequeno’. O tucano afirma que a ferrovia Transnordestina foi ideia sua em 2002 e que ficou parada durante todo o governo Lula. “Meu projeto para o Nordeste é um projeto de desenvolvimento, para fazer acontecer. Eu vou tocar e fazer acontecer.”

23h17 – “Eu acho, candidato Serra, que você está enrolando”, responde Dilma. “Se eu for eleita, se Deus quiser, eu sei como fazer essas obras. Todas essas quatro refinarias o seu amigo Velloso disse que é um absurdo serem feitas”.

23h19 – Serra afirma que Dilma não respondeu sua questão e volta a afirmar que o PAC é uma lista. Segundo ele, a Norte-Sul começou no governo Sarney e que a transposição do rio S. Francisco foi definida no governo FHC. “Tem refinarias que nem saíram do chão. Um acordo esquisito com o Chávez. Quando a gente olha caso a caso, ou não se fez, ou é uma fantasia.”

23h21 – Serra questiona Dilma sobre banda larga, “que agora ela diz que é um grande negócio”.

23h22 – Dilma diz que vai responder depois e que quem sabe das obras do Nordeste é a população do Nordeste. Diz que banda larga nada tem a ver com telefonia e afirma que 65% das escolas tem banda larga, e só não é mais “porque São Paulo não entrou no programa”.

23h24 – “Para mim, o problema da candidata é de gestão. Refinarias como ela disse, não existem. A Dilma tem até um certo desdém pelo Nordeste”, diz Serra. “O Brasil ficou atrasado oito anos na banda larga. Todos os países importantes fizeram planos e a Casa Civil não fez”.

23h25 – Com mensagem subliminar, Serra diz que é “esquisita” parceria do governo petista com Chávez para obras.

23h26 – Dilma afirma que ‘foi um fato importante’ o depoimento da Erenice e volta a citar o caso de Paulo Preto e diz que o ex-diretor da Dersa levantou dinheiro público. “E voltando ao Nordeste, você realmente não conhece o Nordeste.”

23h28 – Dilma pergunta sobre o a Ação de inconstitucionalidade que o DEM impetrou contra o ProUni. “Essa história de ProUni é outra enganação deles”, responde Serra. “Seja na questão financeira, seja no social, o PT inventa”.

23h29 – Serra diz que “essa história do ProUni é outra das enganações  que estão sendo usadas”. Diz que vai manter e aprimorar o programa e acusa o PT de inventar coisas contra ele. Lembra que seu vice, Indio da Costa, trabalhou para aprovar a Ficha-Limpa. Sobre o Paulo Preto, diz considerar o apelido do ex-diretor da Dersa racista e que se tivesse acontecido algum crime seria contra a campanha.

23h31 – Dilma: “A Polícia Civil de SP poderia investigar o fato de que ele foi preso por receptação. A atitude do governo de investigar e punir é que importa. Tem gente que considera a pessoa que fez o malfeito uma coisa boa”.

23h33 – Serra: “voltando à questão do Paulo Preto, ela levanta essa questão para dizer que em política é todo mundo igual. Não é não. Ela teve como braço direito uma senhora, a Erenice, que montou um amplo esquema de corrupção na Casa Civil.” Serra afirma que Dilma foi testemunha de defesa do José Dirceu no caso do mensalão.

23h35 – Serra diz que está há 40 anos na vida pública e tem uma vida limpa.

23h36 – Dilma faz graça com o ‘trololó’: “quando ele fica pressionado, ele fala trololó, mas ele está enrolando”. Ainda segundo a petista, Paulo Preto é “braço direito, braço esquerdo e talvez até a cabeça. Ele coordenou os principais projetos do Serra, Rodoanel, Marginal e Jacu-Pêssego. E aí quando cai viga, eles diz que isso é ‘competência’”.

23h37 – “Eu nunca vi viga cair e ser exemplo de gestão”, afirma Dilma, sobre os acidentes durante a construção do Rodoanel em São Paulo. “Todos viram que ela não respondeu a pergunta sobre saúde”, replica Serra, que aproveita para prometer a construção de policlínicas. “Vamos multiplicar os hospitais regionais”, diz o tucano, que promete unidades em diversos estados do Nordeste. “Quanto aos malfeitos, a Dilma está enrolada neles”, finaliza Serra.

23h40 – “Serra não respondeu se vai pedir pro vice dele para retirar a ação contra o ProUni”, declara Dilma. 23h40 – Na tréplica, Dilma diz que Serra não respondeu se o Serra vai tirar a ação de inconstitucionalidade contra o ProUni. Sobre saúde, Dilma diz que vai ampliar o pronto-atendimento do SUS e que vai criar clínicas especialidades, além de criar o programa “Mãe Cegonha”, para cuidar de mulheres grávidas. Promete um sistema de prevenção e tratamento do câncer espalhado pelo Brasil.

23h42 – Primeiro bloco acaba com aplausos tímidos.

23h48 – No intervalo, senador Sérgio Guerra (PSDB), repercute o primeiro bloco: “Os temas foram citados sem respostas. Houve acusações no meio, mais da parte da Dilma. Ficou uma conversa meio sem nexo”.

23h51 – Serra: “Dilma tem dito mentirosamente que eu pretendo privatizar o pré-sal. No entanto, ela foi presidente de o Conselho de Adminstração da Petrobrás e entregou-a a 108 empresas estrangeiras”. Serra não consegue terminar a pergunta a pergunta e reclama que não consegue ver o tempo ao mediador.

23h52 – Segundo Dilma, o pré-sal é um bilhete premiado. Diz que após a descoberta do pré-sal, o governo suspendeu todos os leilões e que só a Petrobrás tem direito a explorar o pré-sal. “A diferença entre nós é que nós acreditamos que o Brasil tem competência para explorar o pré-sal e inclusive a Petrobrás tem condições financeiras para isso, como mostra o grande volume de recursos da capitalização”.

23h54 – Quando a Dilma comendava o conselho da Petrobrás, ela entregou a concessão para 108 empresas. Se isso é privatizar, então isso é privatizar petróleo. Eu nem defendi o sistema de concessões no caso do pré-sal. A candidata tem uma certa dificuldade em entender isso porque eu não penso com a cabeça dos outros. Eu não digo trololó quando eu estou irritado, eu digo quando eu acho engraçado”.

23h56 – Serra volta a reclamar do cronômetro, que não aparece para ele. Dilma enaltece a descoberta do pré-sal. “O senhor Serra e o senhor FHC fizeram uma regra para o petróleo de baixa qualidade que havia antes. Quando nós descobrimos o pré-sal, um bilhete premiado, nós mudamos a regra, decidimos que isso era do povo brasileiro, para investir em educação, em cultura.”

23h58 – Dilma fala para Serra que “o nosso governo governo criou quase 15 mi de empregos formais. Eu pergunto para o candidato: o que você pretende fazer para não repetir o desastre do governo anterior?”.

23h59 – Serra: “eu duvido que alguém tenha entendido o que a candidata Dilma diz. Mas  se fosse ver quem privatizou mais, eles fizeram mais de 100 concessões de petróleo. Acho que a Petrobrás tem de ser fortalecida. Hoje, o Collor comanda operações da Petrobrás. Eu vou reestatizar a Petrobrás, para não servir a interesses de grupinhos.”

0h02 – Dilma: “Você ficou caladinho quando mudaram o nome para Petrobrax. Chegaram a tirar a bandeira da petrobrás. Privatizar a Petrobrás é um absurdo, sim e seu partido quer isso. Você diz que pensa por si só, mas então está no partido errado. Eles querem privatizar o filé da Petrobrás”.

0h03 – Serra, na tréplica: “Dilma diz que eu minto. Ela que é uma profissional nessa área.” Diz que não houve troca de nome e que houve essa ideia de mudar para Petrobrax no governo FHC, mas que isso era uma ideia tola.  Afirma que a Petrobrás fez concessões a 108 empresas, “53 delas estrangeiras”. “Ela inventa, fabula. Como não tem como atingir, pela minha retidão, ela fica inventando coisas.”

0h05 – Serra pergunta a Dilma o que ela pretende fazer sobre segurança pública no Brasil caso seja eleita.

0h06 – Dilma se mantém no tema Petrobrás e diz que “o nível de agressão pessoal do adversário é elevado”. Volta a dizer o petróleo do pré-sal é de alta qualidade contra o de baixa qualidade que havia antes. “Não consigo entender porque alguém pegaria um bilhete premiado e jogaria fora”.

0h08 – Sobre segurança, a petista diz que vai aliar ação repressiva, com Pronasci e PAC. Promete valorizar policiais e construir mais presídios de segurança máxima.

0h10 – “A candidata nem refuta que o Collor de Melo comanda a Petrobrás em troca do apoio dele”, diz o tucano. Serra volta a falar na criação do Ministério da Segurança Pública para “tomar conta das nossas fronteiras”. “Eu vou fazer um ministério para cuidar disso de verdade, e não com disco voador”.

0h11 – Dilma se atrapalha ao falar da ‘política para presídios’ e parte da plateia ameaça rir. Ela afirma que é preciso separar os verdadeiros criminosos, as lideranças do crime, da massa carcerária. “Outro problema, muito sério, é o policiamento das fronteiras. Ridicularizar veículos não tripulados é uma tolice. Desprezar a Força Nacional também não é correto.”

0h12 – Dilma pergunta sobre o desmatamento: “Propusemos metas para o controle da emissão de gases. Quero saber a opinião do candidato Serra sobre o nosso plano para isso”.

0h13 – Serra diz não ter ridicularizado nenhum veículo. “O que eu disse é que esse veículo, que a Dilma diz que vai fiscalizar a fronteira, esse veículo não existe, não está funcionando, ninguém sabe como fazer funcionar.” Serra diz ter feito em seu governo no Estado de São Paulo a melhor lei para mudança climática do hemisfério sul, “a terceira melhor do mundo”, segundo ele.

0h16 – Dilma: “Eu queria destacar que nós definimos uma redução até 2020. Integra essa proposta até 80% do desmatamento na Amazônia. Tivemos uma grande queda nos índices do desmatamento. Mantemos toda nossa política de enrgia renovável. Quero dizer que tenho compromisso claro com essas metas que nós assinamos. Além disso, queria destacar, voltando à Petrobrás, que não houve a mudança do nome porque o povo reagiu”.

0h17 – Serra diz que Dilma está fantasiando e nem lembra dessa época da mudança de nome. Afirma que irá fazer ‘desamatamento zero’ na Amazônia. Diz que é falso que a petista tenha limpado a matriz energética. “Ficou mais suja”, afirmou. Serra acusa ainda o governo de financiar a expansão da pecuária e diz que Dilma foi contra o Brasil participar de fundo internacional contra a mudança climática.

0h24 – A senadora Marta Suplicy (PT), durante o intervalo, avaliou que “o segundo bloco foi ainda pior que o primeiro para o candidato tucano.” Segundo ela, ele está “extremamente agressivo, isso não acrescenta nada para ele. Ele faz um tom de voz para tentar desqualificar. Ela conseguiu explicar a questão da Petrobrás e do pré-sal e ele tentou desqualificar. Ficou ruim para ele. É muita arrogância. É igualzinho a quando ele concorreu comigo”.

0h25 – Começa o terceiro e último bloco. Cada candidato fará uma pergunta ao outro. O primeiro a perguntar será José Serra. Serra se diz preocupado com o fato do governo dar dinheiro ao MST. “Dilma vestiu o boné e depois tira o boné”. Pede que ela comente sobre isso.

0h28 – “Candidato, eu não acho que seja excessivo pedir mais humildade da sua parte. Não se governa com desdém. A soberba não conduz a bons resultados. Nós somos a favor da reforma agrária no País. sabemos que o MST tem a sua política e o governo federal tem o dele. Nós não tratamos eles na base do cassetete. Aliás, as invasões de terrras diminuíram no governo Lula e com certeza diminuirão no nosso. Sempre tivemos conflitos, mas sempre estabelecemos diálogos”.

0h31 – Serra diz que Dilma é contraditória com relação ao MST e afirma que o governo FHC fez mais pela reforma agrária que o governo Lula. “Uma coisa é a reforma agrária, outra coisa é usar a reforma agrária para a violência, para quebrar a ordem jurídica.”

0h34 – Dilma: “Você prometeu par ao eleitor paulista. Mais do que prometer, registrou em cartório. Em matéria de proposta, fica muito complicado para você falar qualquer coisa. Aliás, eu nunca fui a favor de tudo do MST. Nós fizemos um programa de eletrificação rural que beneficiou os pequenos agricultores que os fez sair da idade média. Temos assistência técnica e que vou expandir. O que não é justo é você achar que o MST é questão de polícia”.

0h36 – Dilma pergunta para Serra sobre política para emprego. “Isso ele não responde”. Cita números do governo Lula e pergunta qual a proposta de Serra para essa área.

0h38 – “Uma das principais questões que eu fiz quando fui ministro da saúde no governo FHC foi a criação de empregos. Por outro lado, no que se refere ao futuro é inverter a tendência que a Dilma marcou nesse País, que é a baixa taxa de investimentos do Brasil. Precisa investir na infra-estrutura até para evitar o aumento descontrolado de preços”, replica Serra.

0h40 – “A política econômica que a Dilma defende é a dos juros siderais”, responde Serra, que cita a falta de investimentos em transporte coletivo. “Ela confunde formalização com fiscalização de emprego. Não é que gerou 3 vezes mais emprego.”

0h42 – Dilma termina lamentando que por vezes o debate tenha perdido o nível de qualificação que se espera. Destaca o crescimento do País. Fala do crescimento do Sul e do Sudeste e do Nordeste “crescendo a taxas chinesas”. “Quero ser uma servidora do povo brasileiro. Meu olhar principal é para as pessoas. Estou preparada para ser a primeira mulher presidente do Brasil.” Candidata é aplaudida.

0h44 – Serra: “Queria agradecer à Record, à candidata Dilma pela presença, e agora a população pode comparar. Essa é uma eleição decisiva. Presidente será a Dilma ou eu. O Lula não estará mais lá. O que eu quero ao Brasil? Eu quero não à intolerância. Quero a união de todos os nossos estados. Sempre fui identificado com todas as regiões do País. Quero um Brasil onde a verdade prevaleça na vida pública. Eu ofereço o meu passado de lutas, como secretário, ministro, prefeito, governador, e juntos vamos chegar a um Brasil mais solidário”. Termina o debate na TV Record.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/

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Na minha opinião, faltou regras importantes no debate, como por exemplo: jornalistas fazendo perguntas, a de os candidatos deviam estarem falando dos temas perguntados e não fugir do assunto com outro tema diferente.

Para mim os dois candidatos perderam no debate, ficando aquela sensação de “eu vou ter que votar em um dele puxa vida”, está um dos motivos porque muitos votarão em branco ou anularão o voto. Os dois fizeram uma roleta russa com dois revólveres, e os dois atiraram em si mesmos.

por AE – Agência Estado

No penúltimo debate da campanha eleitoral – marcado para as 23 horas desta noite (25/10/2010, segunda-feira), na TV Record -, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão trocar alfinetadas sobre montagem de dossiês e denúncias de corrupção. Embora os dois candidatos à Presidência garantam que estão interessados apenas na apresentação de propostas, as equipes preparam a dupla para um duelo.

“O estilo de quem é do mal é justamente de quem diz que é do bem. Nós batemos na política e nosso adversário, na baixaria”, afirma o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas, numa referência ao jingle “Serra é do bem”. “Vamos ser incisivos quando precisar. Se quiserem discutir problema de corrupção, vamos discutir. Aliás, tomara que apareça essa questão de dossiê, pois vamos mostrar a guerra entre tucanos.”

O comitê de Dilma responsabiliza o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) pela quebra de sigilo fiscal de parentes e amigos de Serra. Para o PT, a violação dos dados é mais um capítulo da disputa travada entre Serra e Aécio, no ano passado, pela definição do candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.

Serra, por sua vez, usará o escândalo para alvejar Dilma, alegando que a quebra do sigilo dos tucanos foi ordenada por um grupo de inteligência da campanha petista. “Mas o confronto será na base da civilidade”, diz o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra.

O candidato do PSDB vai explorar, ainda, a denúncia publicada na última edição da revista Veja, segundo a qual o Planalto deu ordens para que a Secretaria Nacional de Justiça produzisse dossiês “contra quem atravessasse o caminho do governo”. Os pedidos teriam partido da própria Dilma, então ministra da Casa Civil, e de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay, negou “peremptoriamente” a acusação, da mesma forma que Dilma e Carvalho. Para o governo e o PT, a denúncia não passa de vingança do ex-secretário Romeu Tuma Jr., defenestrado em junho depois de ter o nome envolvido no escândalo da máfia chinesa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: estadao.com.br